terça-feira, 12 de maio de 2009

A armada invencível e a Nau á deriva


Cada vez que ouço histórias do mar, recordo-me de ouvir falar em naufrágios, gigantes Adamastores, navios fantasmas e outras coisas do género que povoam a nossa mente desde tenra idade.
E recordei-me de uma história que me acompanha desde a minha meninice, a história de uma Nau construída á beira do Tejo.
Nau que sempre a conheço a navegar, umas vezes contra ventos e marés, outras vezes a favor, mas sempre navegou em pleno esplendor.
Os seus comandantes dentro da sua sabedoria, tinham o orgulho de comandar semelhante nau, as tripulações sempre tiveram prazer em servir, e a Nau lá andava, muitas vezes sobre olhar atento de quem teimava em se servir dela.
A Nau continuou a navegar, foi sendo alvo de manutenção, foi-se apetrechando, tornou-se num símbolo, imponente, apetecível na sua maturidade.
Até que um dia, o Comandante da Nau não reuniu o consenso de alguns poderes que se teimavam em instalar ao longo dos anos, mas sem êxito até então.
Até que aconteceu o dia em que se iria reunir o Conselho que iria decidir o próximo Comandante da Nau.
Os que até então ansiavam o poder, reuniram generais, (alguns deles amotinados da tripulação anterior), os generais chamaram e reuniram milicianos, muitos nunca se tinham visto embarcados e teve lugar a bordo a batalha pelo governo da nau.
A batalha foi curta o até então Comandante, em inferioridade numérica, perdeu uma batalha sem glória contra uma armada invencível.
A milícia assumiu de imediato o governo da nau, os generais de imediato dispensaram as tropas, a batalha estava ganha.
O novo Comandante e os seus Generais assumiram o comando da nau, mas esqueceram-se que a milícia que os tinha ajudado na batalha já não estava presente, os despojos, agradecimentos e louvores foram atribuídos, e de seguida a milícia recolheu aos antros de onde eram oriundos.
A tripulação do antigo comandante, essa, continuaria a bordo, atenta ao governo da sua Nau.
Hoje a Nau está a navegar, quiçá á deriva, o Estado-maior não reúne consenso, Generais desertaram, outros viram as tropas desertar, outros continuam a acreditar, mas já não se revêem na batalha em participaram, outros continuam a acreditar.
Mas a Nau é grandiosa, vai continuar a navegar, talvez até encalhar na ignorância daqueles que um dia, sem nunca andarem embarcados, foram chamados a participar numa batalha alheia.
Porque a tripulação, essa há-de sempre estar presente.

In “Memórias de um tripulante”

2 comentários:

Anónimo disse...

E a batalha começa a organizar-se em várias frentes. A ver vamos se os Generais ainda têm soldados que os acudam :)

jc disse...

Não há armadas que sejam invencíveis.