quarta-feira, 11 de maio de 2011
Importa-se...
Estavamos em periodo hibernal e o "Volare" em fabricos, decidi fazer uma revisão completa ao aparelho propulsor, vulgo motor F/B, o meu yamahazinho de 15 HP.
Entreguei a máquina infernal aos cuidados do meu mecânico que após uma avaliação me informa do diagnóstico.
-Pá, (tipo simpático), esta treta tá toda cagada, precisa do impulsor, e do conjunto de juntas, queres que váo á procura ou arranjas tu?
Bem, o impulsor tenho um novo suplente (como mandam as regras), mas explica-me o que é o conjunto de juntas, que eu estou em Matosinhos, há por aqui o importador da Yamaha e vou lá comprar, (pensava eu).
Lá o Alberto me explicou que era a junta para a cabeça do motor, junta para o bloco e junta para o sistema de escape.
Posto isto, dirigi-me ao Sr Importador, em Leça da Palmeira, em cujo balcão solicitei o material.
Lá me vi envolvido em mais uma carga de trabalhos, identifiquei o motor (yamaha 15 F /2 tempos/mistura de 2001.
Bem ao principio até eu desconfiei da existência de tal modelo, mas como tinha um, tinha a certeza da sua existência.
Depois de devidamente identificado num manual técnico da marca, o Sr Importador, diz-me o seguinte:
"Vou ver o preço das peças e já lhe digo"
Era mesmo o que eu precisava de ouvir, até ao momento em questionei:
- Desculpe, mas tem em stock, é que se não tem, escusa de me dizer o preço, eu preciso das peças, o mecânico não me faz a reparação só com o preço.
Resposta: Não há em stock, temos de mandar vir, por isso lhe ia dar o preço.
- Desculpe a minha ignorância, mas os Srs Importadores não têm peças em stock para um vulgar motor 15 hp a dois tempos? Até eu sei que este e os 9.9 hp devem ser os motores mais vendidos da Yamaha (até são iguais).
Ah, não temos de importar, só por encomenda.
- Esqueça, vou procurar por outro lado, obrigado.
Posto isto tive um rasgo de luminosidade. e liguei para uma influente pessoa dos meios náuticos de Aveiro, a quem perguntei se sabia de algum revendedor da Yamaha, por aqueles lados.
5 minutos depois tinha um SMS do meu tio JFMV, a informar que havia um revendedor da Yamaha na Gafanha da Nazaré.
Vindo de torna viagem, desloquei-me á Gafanha, na rua principal lá estava o dito cujo revendedor, uma lojinha tipo garagem, modesta mas funcional, estava lá um bote para venda, rodeado de uma dezena de motores Yamaha, podia ser que tivesse sorte.
Fui atendido pelo feliz proprietário, um senhor de certa idade, que quando lhe informei do que precisava, apontou para um motor da loja e disse:
- É igual aquele mas a 2 tempos, não é?
Afirmativo
- Tenho cá um conjunto de juntas para esse motor e para todos os outros.
Tive que perguntar como é que um simples revendedor, tem isto em stock e contei o que se tinha passado com o importador.
O Sr explicou, "eu sei que motores tenho vendido ao longo dos anos e sei qual o material de maior desgaste, logo tenho sempre em stock, pelo menos um conjunto, agora vendi-lhe esse, vou já mandar vir outro igual, para ter aqui.
- Vai mandar vir pelo importador?
Não, senão nunca mais cá chega, vem directamente (não interessa de onde).
Como diria o saudoso, e este heim?
domingo, 24 de abril de 2011
"By The BooK" (Bái de buque)
O que vou narrar a seguir é a mais pura verdade, exemplo do nosso funcionalismo, diga-se publico.
"Bom dia e tal, vinha cá para requerer a vistoria á minha embarcação, tem aqui o livrete, classe 4, licença de estação, etc."
Peço é para a vistoria ser efectuada de hoje a 8 dias, que é o único dia em que me encontro por cá, e tem de ser por volta desta hora, uma vez que preciso que esteja a mais de meia enchente, que faz-se logo a vistoria a seco e a nado"
O que fui dizer, o nosso agente da Policia Marítima que desempenha as funções de amanuense, apressa-se a ligar o complicómetro.
- Não pode ser, porque a pessoa que faz a inspecção está de férias, só vem daqui a 15 dias, e alem disso para a semana as marés não dão para o que me está a dizer.
"Bem, vamos por partes, não acredito que só haja uma pessoa a fazer inspecções, o que tenho de fazer para que a inspecção seja efectuada na data indicada?"
- Há mais inspectores, mas tem de se pedir a Lisboa (deve ser longe", e se solicitar com carácter de urgência, é efectuada em 48 horas.
"Bem, se tem de se pedir a Lisboa, é um problema da Delegação Marítima, em relação ao carácter de urgência, tal não é necessário, uma vez que quero para daqui a 8 dias, até por motivos de disponibilidade e maré, como já expliquei."
- Pois, mas também lhe disse que de hoje a 8 dias a maré não dá, porque á hora pretendida já está na vazante.
"Desculpe, se hoje, a esta hora, a água está a vazar, e bem, deve faltar cerca de uma hora para o Baixa Mar, de hoje a 8 dias temos uma maré contrária, aproximadamente."
- Por isso mesmo, estou a ver pela tabela de marés e a agua agora já enche bem, por isso para a semana está a vazar.
"Pois acontece que estou a ver pelo rio, e a água agora ainda corre abaixo e temos pelo menos mais uma hora de vazante, se se levantar da cadeira e olhar pela janela, poderá constatar esse facto"
- A tabela pode não estar certa, também não sou eu que faço as tabelas, mas estamos a esquecer que a hora já mudou e já não precisamos de acrescentar uma hora á tabela.
"Você é cada tiro cada melro, se a hora mudou e as tabelas são referidas ao Tempo Universal, agora é que temos de acrescentar uma hora, aliás duas horas, uma vez que as tabelas têm como referência o Porto de Lisboa."
- Mas ainda temos o problema de não haver inspector disponível, se calhar tenho de ligar para Lisboa ou para o nosso inspector.
"Podíamos ter começado logo por aí."
Conclusão: O inspector que estava de férias, podia fazer e fez a respectiva no horário pretendido.
Mas depois não ficamos por aqui.
- Não se esqueça que tem de ter todo o material a bordo, senão chumba a inspecção, não se esqueça que tem de ter os Pirótecnicos dentro da validade.
"Não há problema, já trouxe de Bayona, em Espanha não levantam os problemas de licenças como cá"
- Não pode trazer Pirótécnicos de Espanha.
"Diga-me, porquê?"
- Porque não pode transportar materiais explosivos.
"Boa, vocês obrigam-me a ter materiais explosivos a bordo, mas dizem-me que não os posso transportar."
- No barco é diferente
"Sim, para a próxima levo o barco até á loja mais próxima."
(Acho que em Óbidos havia lá uma casa que vendia para fora, mas já fechou)
segunda-feira, 11 de abril de 2011
O cheiro é o mesmo, a merda é que muda... se mudar!
O Capitão chama o Imediato:
- Mr. Simpson, o navio fede, mande os homens trocarem de roupa!
Responde o Imediato: - Aye, Aye, Sir, e parte para reunir os seus homens e diz:
- Sailors, o Capitão está se queixando do fedor a bordo e manda todos trocarem de roupa.
- David troque a camisa com John, John troque a sua com Peter, Peter troque a sua com Alfred, Alfred troque a sua com Jonathan ... e assim prosseguiu.
Quando todos tinham feito as devidas trocas, volta ao Capitão e diz: - Sir, todos já trocaram de roupa.
O Capitão, visivelmente aliviado, manda prosseguir a viagem.
P.S: É o que vai acontecer depois das eleições, vamos seguir viagem, mas a merda vai ser a mesma.
quinta-feira, 31 de março de 2011
Já tá pronto
Com o casco revestido a anti-foulling do "bom", daquele que mata tudo que se aproxime num raio de 10 cm, vá lá, 12 cm no máximo, qualquer semelhança com cor dos submarinos da Marinha, é pura coincidencia.
Esta empreitada contou com o apoio do Chico do Cabo d'Vila, sem o qual não seria possível esta celeridade de trabalhos. Afinal, eu até sou o melhor amigo do Chico, diz ele, ás vezes.
domingo, 27 de março de 2011
O "N/V Volare" em fabricos

Hoje de manhã também foi dia de chegar o barco "á frente", como é normal todos os anos, em vez de andar a levantar o barco com macacos e prumos de andaime e outras macacadas, aproveito o final do treino do pessoal da canoagem, assim como a presença de outros "armadores" presentes, e com uma vintena de "macacos" a fazerem força á volta do barco, um, dois, três, levanta-se o animal e chega-se á frente, para assim se poder pintar as partes que apoiavam no berço.
Para todos os que estiveram presentes na manobra desta manhã, o meu agradecimento, para aqueles que não quiseram ajudar, o meu obrigado, por não terem estorvado (hoje houve distribuição de barretes).
domingo, 20 de março de 2011
Do Parque das Nações até Alhandra (ida e volta)
Para alem do facto de o Rui me mencionar o facto de poder haver necessidades de um "Skipper" conhecedor da Cala das Barcas, (ou seja, um prático do Tenebroso Mar da Palha) lá me meti ao caminho, ainda sem saber que embarcação me cairia em sorte, acabei por ficar em "casa", seja no "Blue Seven".
Aproado á Cala das Barcas
Aproximação á Bóia nº5 com Alhandra na proa.
O "Blue Seven" n'Alhandra
O entardecer na Cala das Barcas
Chegada á Marina do Parque das Nações
Esta pequena viagem serviu-me também para tirar algumas conclusões, elações, e duvidas que têm surgido, nomeadamente no que respeita á funcionalidade do sistema de comportas, assoreamento da bacia da marina e navegabilidade da Cala das Barcas.
A minha opinião vale o que vale, mas é a seguinte:
Sistema de comportas - Não é funcional nem prático, neste momento a comporta de EB está avariada, fazendo com que o movimento de marés se faça apenas pela de BB, o que provoca uma corrente de cerca de 3 a 4 nós, que pode apanhar desprevenidos os mais incautos.
Assoreamento - Conforme havia previsto, está a acontecer, ainda não passaram dois anos após a re-inauguração, onde toda a bacia foi dragada, e já os pontões que se encontram junto a terra estão a seco no Baixa Mar, inclusive já é visível algumas "ilhas" de lama em zonas pontuais. Certo que a maré de hoje era de .20m acima do ZH, mas não era suposto isto acontecer, inclusive algumas embarcações tentaram sair no inicio da enchente e encalharam logo á saída.
Cala das Barcas - Completamente navegável, saímos da Marina com uma hora de enchente, cumpri os way points que já aqui publiquei anteriormente, seja, cumpri integralmente a balizagem, subimos ainda com os cabeços de ostra visíveis, e tivemos fundo navegável em todo o percurso, mesmo no pontos criticos (bóia 1 e 1A), nunca tive menos de 2,20 m de sonda á hora, inclusive a bóia nº 5, junto ao bico Norte do Mouchão da Póvoa, é nova.
Cumpra-se a balizagem e só encalha quem quer.
(Tenho um livro cá em casa que explica como se cumpre a balizagem, posso emprestar, barato)
segunda-feira, 7 de março de 2011
Dá que pensar...
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Crónica de uma morte anunciada
Votado ao abandono, onde o Zé o deixou, em frente ao Museu de Alhandra, a vida não tem permitido as deslocações a Alhandra, quanto mais pensar em recuperar o barco, diz o Zé do fundo da sua humildade.
Era sábado, depois do nosso habitual almoço, pegá-mos no Blue Dolphins do meu colega Cmdt Mega, fomos visitar o Zé ao Olympus, nunca tinha estado a bordo, entristeceu-me ver o estado de um barco que no seu tempo foi um supra sumo da sua classe, chegando inclusive a participar na Rota do Rhum.
O Zé enquanto tentava abrir a portinhola inchada, ainda balbucionava aquilo que todos nós costumamos dizer em desabafo "não me sai o euro-milhões"
O Zé e o Mega, inspecionavam os estragos do interior, para mim era mais fácil verificar o que se encontrava em bom estado, por muito que me custe dizer, nunca mais é barco. e é pena, como o Zé me disse várias vezes, era um barco lindo a navegar.

Várias vezes estou no Cais 14, a contemplar o "Olympus", o pessoal que me conhece, ligado a estas lides, perguntam-me "aquilo nunca mais sai dali".
Eu vezes sem conta, conto a história daquele trimarã e do seu dono, o Zé Lopes, o homem que foi uma vez á Ilha de Tristão da Cunha, a ilha mais remota do Hemisfério Sul, trouxe de lá um Van De Stadt 28, que diz quem viu, parecia um destroço quando chegou a Lisboa, o Zé veio nele a navegar, assim como foi para o Brasil no "Olympus" fez a travessia com a proa a meter água e aterrou em Alhandra.
Links relacionados:
http//nvvolare.blogspot.com/search?q=de+seu+nome%2C+Jos%C3%A9
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Viagens a preto e branco
O Nuno chegava, nunca pontual, (os primeiros 10 minutos eram dele), á pressa perguntava-me o que queria que ele fizesse, explicava o que pretendia e as próximas 2 horas ficava por conta própria.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Do Parque das Nações até Alhandra
As coordenadas indicadas estão referidas ao sistema elipsoidal Datum WGS 84.
Este roteiro é meramente informativo não dispensa toda a atenção que a prudência marinheira assim o aconselhar.
A todos uma boa navegação.
Lisboa (Parque das Nações) – Alhandra (distância aprox. 11,5 M)
Uma vez que o percurso se encontra balizado deveremos seguir sempre as proas recomendadas, de bóia a bóia e respeitar o sentido da balizagem e os devidos Way Points, deverão sempre ser tomadas todas a precauções para navegação em águas sujas, deste modo a embarcação deverá estar equipada com sonda, o alarme deverá soar aos 3,00 metros.
Uma vez que partindo de qualquer marina a jusante do Parque das Nações, os fundos não oferecem qualquer perigo para a navegação, vamos considerar como ponto de partida a Marina do Parque das Nações.
Bóia CR 5 situada em frente ao acesso á marina
Coordenadas 38º 45’165 N 009º 05’380 W
A partir deste ponto podemos rumar á Pv= 019, directamente ao enfiamento a jusante da Pt Vasco da Gama, definido pelas bóias B2 e B1, numa distância de 1,7 M.
Coordenadas 38º 46’818 N 009º 04’768 W
Deste ponto continuamos para o enfiamento a montante da Pt Vasco da Gama, definido
pelas bóias B3 e B4 Coordenadas 38º 47’292 N 009º 04’555 W, distancia de 0,5 M.
De B3-B4 á baliza nº6 - Coordenadas 38º 48’297 N 009º 03’834 W
Pv= 030 Distancia 1,2 M
(desprezámos a baliza 4 - Coordenadas 38º 47’867 N 009º 04’199 W )
Da baliza nº6 até á nº 8 - Coordenadas 38º 49’309 N 009º 03’156 W
Pv= 028 Distancia 1,1 M
(desprezando a nº6A coordenadas 38º 48’774 N 009º 03’599W)
Da baliza nº8 á bóia nº1 - Esta tão famosa bóia nº1 foi reposicionada nas coordenadas 38º 49’608 N 009º 02’548 W
Pv= 058 Distancia 0,6 M
Da bóia nº1 á bóia 10A – Coordenadas 38º 49’971 N 009º 02’389 W
Pv= 019 Distancia 0,4 M
Da bóia 10ª á bóia 1ª – Coordenadas 38º 50’372 N 009º 02’007 W
Pv= 036 Distancia 0,5 M
Da bóia 1ª á marca cardeal Este – Coordenadas 38º 50’646 N 009º 02’173 W
Pv= 336 Distancia 0,3 M
Da marca cardeal Este á bóia nº5 - Coordenadas 38º 52’600N 009º 01’253 W
Pv= 020 Distancia 2,1 M
Da bóia nº5 á baliza nº10 (baliza de Alverca) - Coordenadas 38º 53’518 N
009º 01’087 W
A partir deste ponto, a navegação deverá ser efectuada junto á margem norte com resguardos entre 100 e 150 metros até ao Cais de Alhandra, e posteriormente até á marina do clube local.