

Ao meu avô que me levava para o rio, aos meus pais que sempre me deixaram ir para o mar.


Com a Ponte da Lezíria (Carregado) á vista, aqui ainda éramos obrigados a umas bolinas cerradas, 2 milhas a montante o NE desaparecia quase totalmente.
Inolvidável, o percurso dentro da Vala Real de Salvaterra de Magos, com a distancia de uma milha (1852m), até ao cais da Vala e á marina do Clube Náutica, rodeado de uma vegetação densa de salgueiros, um veleiro penetrava nas entranhas do Ribatejo profundo.
No pontão exterior da marina, de salientar que esta vala não é de fácil acesso, entrámos a uma hora do limite do Preia-Mar, com sondas médias de 2,20m, pelo que optei por sair na primeira hora da vazante.
O regresso fez-se sem historia, com a nortada a fazer-se sentir, pelas 1800 Hleg, atracava-mos na nossa Alhandra.
Ainda fiz a boa acção do dia, quando alertei que a Baleeira do nosso clube tinha ido á deriva e estava alojada nos salgueiros da margem Sul, claro que não fiz com intenção, mas acho que ficaria bem a quem de direito os respectivos agradecimentos, (já que são tão expeditos noutras situações), pode ser por carta, já não era a primeira que recebia (mas por outros motivos, digamos que, menos nobres).
Apontamentos de Marinharia:
Manobra de fundear - Deve-se escolher um fundo de boa tença, a relação ideal entre a profundidade (preia-mar) e o comprimento de cabo/amarra, deve ser de 5 a 7 vezes a profundidade no local, em caso de corrente forte ou vento, deve-se largar mais cabo.
Tenho em casa uma tabela que indica o peso e o tipo de ferro de fundear a utilizar, em função do tipo de embarcação.
Aviso á Navegação
Atlântico Norte - Rio Tejo - Ponte da Lezíria
Indiferente ás conversas de esplanada dos mais ignorantes, que insistem em discutir alturas e profundidades, informo o seguinte:
A parte inferior do tabuleiro da ponte da Lezíria, na zona de passagem (cala), passagem esta definida pelo enfiamento entre uma marca de BB e outra de EB marcadas nos pilares, com uma marca de águas limpas no eixo do respectivo vão, antecedidas e procedidas pelas respectiva balizagem, (isto cansa) tem uma altura de 22,70, ao nivel do Zero Hidrográfico, agora façam as contas á altura da maré.
Com o casco revestido a anti-foulling do "bom", daquele que mata tudo que se aproxime num raio de 10 cm, vá lá, 12 cm no máximo, qualquer semelhança com cor dos submarinos da Marinha, é pura coincidencia.
Esta empreitada contou com o apoio do Chico do Cabo d'Vila, sem o qual não seria possível esta celeridade de trabalhos. Afinal, eu até sou o melhor amigo do Chico, diz ele, ás vezes.

Hoje de manhã também foi dia de chegar o barco "á frente", como é normal todos os anos, em vez de andar a levantar o barco com macacos e prumos de andaime e outras macacadas, aproveito o final do treino do pessoal da canoagem, assim como a presença de outros "armadores" presentes, e com uma vintena de "macacos" a fazerem força á volta do barco, um, dois, três, levanta-se o animal e chega-se á frente, para assim se poder pintar as partes que apoiavam no berço.
Para todos os que estiveram presentes na manobra desta manhã, o meu agradecimento, para aqueles que não quiseram ajudar, o meu obrigado, por não terem estorvado (hoje houve distribuição de barretes).
Aproado á Cala das Barcas
Aproximação á Bóia nº5 com Alhandra na proa.
O "Blue Seven" n'Alhandra
O entardecer na Cala das Barcas
Chegada á Marina do Parque das Nações
Esta pequena viagem serviu-me também para tirar algumas conclusões, elações, e duvidas que têm surgido, nomeadamente no que respeita á funcionalidade do sistema de comportas, assoreamento da bacia da marina e navegabilidade da Cala das Barcas.
A minha opinião vale o que vale, mas é a seguinte:
Sistema de comportas - Não é funcional nem prático, neste momento a comporta de EB está avariada, fazendo com que o movimento de marés se faça apenas pela de BB, o que provoca uma corrente de cerca de 3 a 4 nós, que pode apanhar desprevenidos os mais incautos.
Assoreamento - Conforme havia previsto, está a acontecer, ainda não passaram dois anos após a re-inauguração, onde toda a bacia foi dragada, e já os pontões que se encontram junto a terra estão a seco no Baixa Mar, inclusive já é visível algumas "ilhas" de lama em zonas pontuais. Certo que a maré de hoje era de .20m acima do ZH, mas não era suposto isto acontecer, inclusive algumas embarcações tentaram sair no inicio da enchente e encalharam logo á saída.
Cala das Barcas - Completamente navegável, saímos da Marina com uma hora de enchente, cumpri os way points que já aqui publiquei anteriormente, seja, cumpri integralmente a balizagem, subimos ainda com os cabeços de ostra visíveis, e tivemos fundo navegável em todo o percurso, mesmo no pontos criticos (bóia 1 e 1A), nunca tive menos de 2,20 m de sonda á hora, inclusive a bóia nº 5, junto ao bico Norte do Mouchão da Póvoa, é nova.
Cumpra-se a balizagem e só encalha quem quer.
(Tenho um livro cá em casa que explica como se cumpre a balizagem, posso emprestar, barato)