O meu barco ou o barco ideal
O barco ideal (não existe), como disse anteriormente, depende do usufruto que fizermos dele.
No meu caso, o meu barco ideal é um DC 740, tendo como principais caracteristicas uma grande optimização do espaço interior que não é comum em embarcações deste tamanho, um pé direito de aproximadamente 1,70 m, uma boca de 2,50 m, que permite ser transportável por estrada sem licenças especiais e um sistema de patilhão rebativel eléctrico, o ideal para navegação em águas baixas e zonas de estuário influenciadas pelos ciclos de marés.
A vantagem de ter patilhão rebativel
Como não há bela sem senão, tem o inconveniente de ter pouco lastro e o centro de gravidade alto, uma vez que grande parte deste lastro, se encontra imediatamente abaixo da linha de água, tem umas obras mortas acentuadas, o que se traduz nalgum adornamento mesmo em árvore seca quando o vento se faz sentir com intensidade, tudo isto o torna um barco bastante nervoso e quiçá indomável com vento acima dos 12/15 nós, sendo um barco leve, as suas duas toneladas de peso tambem não abonam a seu favor com ventos fortes, no entanto com ventos moderados torna-se um barco divertido de velejar, principalmente para quem vem da vela ligeira, como é o caso.
Para o que eu gosto e faço com ele, torna-se assim no barco ideal.
No entanto, para quem pretenda fazer mais navegação costeira (vá nos barcos dos amigos), aconselhamos vivamente uma situação acima dos 30 pés, (9 metros aprox.), sendo o ideal dos 34 pés para cima, neste segmento temos boas opções, nomeadamente ao nivel da auto-construção e com provas dadas, como é o caso de projectos em aço do Arqtº Gerard Chaigne, com alguns cascos a navegar nas nossas águas ("Casvic"; "She"; "Nichu's"; "Patrão Mor"; "Nagual"; "Baraton"; "Malabar"), ou do Arqtº Van de Stadt ("Maião"; "True Love"; "Blue moon"; "Babilé"), sendo cascos bastante fiáveis tambem para navegações oceanicas, até porque normalmente são logos equipados com equipamento a condizer, ao contrário da maioria dos barcos de série.
O "Casvic", agora pertença de António Candido, a sair a barra da Ria de Arousa, este barco conta no seu curriculo uma viagem de circum-navegação e uma ida e volta á India pela rota de Vasco da Gama, enquanto propriedade de Manuel Gomes Martins que o construiu.
No segmento de série, normalmente o equipamento standard é básico, e o opcional que deveria ser de série paga-se bem, no entanto tambem há no mercado bons barcos de série, para não falar nas marcas curriqueiras, gosto pessoalmente dos "Feeling" fabricados nos estaleiros "Kirie", uma vez que dispõe os seus modelos tambem na versão "derivador", isto até aos 44 pés, é obra.
No entanto se o nosso intuito for devorar milhas por mar e houver suporte económico para tal, as minhas escolhas recaiem sobre um "Grand Soleil" do estaleiro "Cantieri del Prado", um "Super Maramu" da "Amel" ou um "Najad".
Resta lembrar que o nosso compatriota Genuino Madruga, está neste momento a dar a sua segunda volta ao mundo em solitário a bordo de um Bavaria 36 o "Hemingway".
Não haja limites para sonhar, temos é de navegar.