quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

"Verd'inveja"

Costuma-se dizer que a inveja é uma coisa muito feia, feia mesmo, e não invejo ninguem, mas este fim de semana fiquei com uma sentimento esquisito, senão vejamos:
Estava um vento de Nordeste certinho, força 3 "le bon trois", como os dizem lá na França, uma enchente de maré morta, muito fraca, uma mareta de 10 cm, vejo uma Vela a descer o rio, era o Pedro e o "Fulô", pensei que ele devia estar a gozar que nem um perdido, que inveja.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Projecto "Multichine 45"

Conheci o Rui á alguns anos, não sendo de tradição marinheira, era no entanto apaixonado por estas coisas do barcos e da navegação.
Rápidamente se adaptou a estas lides e acabou como meu aluno, acompanhei a sua formação até finalmente fazer o curso de Patrão de Alto Mar.
Finalmente embrenhou-se no seu projecto, um veleiro de 45 pés, em aço, um projecto do gabinete brasileiro “Roberto Barros yacht design”.
Faz 3 anos em março que iniciou a construção, tenho efectuado algumas visitas de acompanhamento da construção, esta semana fui visitá-lo novamente e voltámos a falar destas coisas de barcos, trocámos algumas impressões que o próprio me autorizou a publicar.

A escolha do projecto

Apesar de no nosso país já haverem sido construídas várias unidades de outros arquitectos com provas dadas, tais como “Van de Stadt”, “Gerard Chaigne” ou “Bruce Roberts”, esta questão não foi muito pacifica e levou vários meses a ser decidida, o Rui explicou-nos o porquê desta escolha:

Eu procurava um veleiro com mais ou menos 42 Pés e que fosse forte , fácil de construir, que não fosse uma lesma a navegar e que pudesse ser manobrado por uma só pessoa. Mas o factor mais forte além da robustez seria sem duvida a beleza, eu tinha que olhar e decidir sem sombra de duvida...é este!
As coisas comigo têm que funcionar assim, sem dúvidas, porque se as há logo no inicio....não é seguramente um bom inicio.
Assim este casco é extremamente seguro, apresentando soluções que nunca vi noutro veleiro do mesmo porte, tais como: anteparas estanques; uma antepara longitudinal em chapa de 12mm; uma cabine de piloto (a cair em desuso mas muito útil) e a possibilidade de ter um posto de comando alternativo no interior.
Seguem-se outras características muito importantes tais como grande capacidade de armazenar água e combustível e espaço para poder montar uma pequena oficina com torno e ferramentas para manutenção ou reparação de emergência.
Patilhão de aba e skegue no apoio da pá do leme são outros pormenores que denotam que quem fez este desenho tinha "mesmo" em mente fazer um barco para qualquer latitude e á prova de "volta ao mundo".
È verdade que no inicio ainda pensei num desenho do escritório do "Bruce Roberts" mas não me apaixonava como este e parecia que o desenho já muito antigo não favorecia um casco rápido, embora o nível de informação para o construtor amador seja altíssimo, funcionando quase como um jogo do lego.
Depois outras situações ajudaram a decisão, o facto de falar-mos a mesma língua favorece o entendimento, em caso de qualquer esclarecimento técnico, tudo ficava mais fácil.

Sendo a primeira experiência deste tipo, porquê logo um 45 pés?

“Pelo que me apercebi, muita gente constrói um barco de 30 a 34 pés, depois passam o tempo a olhar para os de 40 pés, eu não quero passar por isso, mesmo com todas as condicionantes, decidi partir logo para o maior dentro das minhas possibilidades, quero um barco para toda a vida, o conceito é “fazer e esquecer”, e depois somos 5 na família.
Alem do facto que não quero o barco para andar ás voltinhas no rio, o meu intuito é partir mar dentro e depois logo se verá.”

Custos de um projecto deste tipo, quer a nível económico e a nível pessoal?

“Tenho um orçamento estimado em 100.000 euros para este empreendimento, a nível pessoal penso ocupar entre 5 a 8 anos, desde a compra (encomenda) do projecto até esta altura, passaram quase 3 anos, iniciei a construção em Março de 2008, tendo em conta que a obra esteve parada 2 meses para me poder dedicar ao curso de Patrão de Alto Mar, as perspectivas continuam animadoras.”

Porquê a opção “de aço”?

“È um material que conheço bem e sei trabalhar, tinha a maquinaria toda, desde máquinas de soldar, quinadeira, inclusive uma estufa para eléctrodos que funciona a 12 volts e posso levar sempre a bordo, assim como uma máquina de soldar portátil, que aliás é com ela que me encontro neste momento a trabalhar.
Também temos de ter em conta que ninguém está livre de acidentes, e num porto qualquer se faz uma soldadura.
Poderia haver a opção do alumínio, mais difícil de trabalhar, de reparar, mais oneroso e obrigava-me a comprar outro tipo de máquinas, a madeira não sei trabalhar, pelo que os interiores devo dar de empreitada a um carpinteiro, quanto á fibra nem sequer pensei nisso.”

Houve ou haverá alguma inovação ou consideração a ter em conta neste projecto?

“Uma das minhas preocupações foi o convés/poço, desde que numa deslocação que fiz aos estaleiros do Venâncio, e vi um bocado de convés de aço com teca colada, em que a teca estava em bom estado e o aço completamente degradado, pensei que tinha de pensar numa alternativa. Convés em inox foi a solução, considero a solução ideal para uma zona delicada, desde as zonas de cortes para colocação das escotilhas, no convés há sempre coisas a caírem, provocando pequenas zonas de oxidação, deste modo o problema fica resolvido.
Uma inovação vai ser o mastro, o projecto prevê um mastro de alumínio com parede de 7 mm, vou eu construi-lo em inox de 3mm de espessura, sendo um material muito mais forte, julgo que posso reduzir substancialmente a espessura, estou a contactar alguns experts que me possam aconselhar no assunto, claro que tudo isto será testado em terra, antes de ir para o mar.”

Em poucas palavras o resumo de toda esta experiência

“Uma aventura dentro da "aventura" que é construir um veleiro em aço com 14 metros. Uma obra desta envergadura só é possível chegar a bom porto depois de eu próprio vencer a inércia, o medo e as indecisões próprias dos grandes projectos.”

sábado, 22 de janeiro de 2011

Momentos 2010

Estava a faltar esta publicação da praxe, relativa aos momentos mais marcantes de 2010.

Um dos momentos mais marcantes, foi uma quebra de costelas, da qual não há registo fotográfico, mas ficou marcada definitivamente, tanto que a partir desse momento, deixei de consultar o WindGuru, agora a previsão do tempo vem directamente dos costados, não falha.

Devido a este acontecimento no inicio do Verão, toda a navegação foi condicionada, pelo que só vou realçar um acontecimento marcante.

O regresso do Santa Maria Manuela a Aveiro
Foi em finais de Abril de 2010 que o SMM, irmão gémeo do NTM/Creoula, regressou a Aveiro após um longo trabalho de restauro, nós tripulação do NVV/Véronique fomos esperá-lo.



O momento em que o SMM, entra a Barra de Aveiro


O momento em que o meu "tio" João Veiga, ficou emocionado de lágrimas nos olhos ao ver chegar o Lugre Bacalhoeiro onde o pai andou embarcado.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Miscelandia, barco fora d'água, novo ano, etc.

Hoje foi dia de trazer o "Volare" para terra, acordei com vontade de ver o Tejo da minha janela, ele não estava visível, como dizemos em termos náuticos, estava visibilidade reduzida, frio quanto baste, mas tinha de ser hoje, a embarcação já acusava 10 meses a nado, avizinha-se os ventos de Sul frequentes a partir desta altura, pelo que vamos para estaleiro.


Pelas 14oo HLeg, já cá estava fora, de salientar que o anti-fouling testado este ano mostrou estar ao mais alto nivel, eu próprio que tinha as minhas duvidas, fiquei cliente, o casco estava limpinho, sem cracas, limos ou o habitual nateiro.

Na Páscoa voltaremos a navegar.

Em resumo, este ano também não foi um grande ano de navegações, á conta de uma quebra de costelas no inicio da época balnear, (por favor nunca deixem os albóis abertos), o barco ficou na água e eu fiquei o verão todo no estaleiro, só consegui voltar a navegar em Setembro, desde que em 2004 adquiri este DC 740, foi mesmo o ano com menos milhas percorridas.

A put... da vida profissional também não deixou fazer muito mais, houve muitas mudanças de rumo num ano só.

A vida pela borda d'água tambem não vai melhor, o meu clube está completamente desmembrado, perdeu-se o espírito de grupo que custou décadas a construir, mas os incautos marinheiros voltam a juntar-se, estamos em crer que se possa criar uma nova tripulação para a nau á deriva.

Para todos os que por aqui passam, os navegantes ou não, um bom ano de 2011, se mais nada podermos fazer, pelo menos que naveguemos.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A Campanha do Argus - Reedição de Luxo

Nos meses sombrios de Outubro de 1951 aparecia nas montras livreiras de Londres e Nova York um novo livro do mais afamado escritor marítimo,"The quest of the schooner Argus", de Alan Villiers, só os leitores aficionados ás relíquias da vela, poderiam supor que a narrativa fosse dedicada a um navio bacalhoeiro português.

Este relato e as imagens patentes, permitem questionar o sentido e a memória da pesca do bacalhau por homens e navios portugueses.

Esta edição está limitada a 500 exemplares (o 101 já tem dono), é uma edição exclusiva para aficionados, está á venda no Museu Marítimo de Ílhavo.

o "Argus" fotografado por mim, no cais dos bacalhoeiros em Aveiro, (Ilhavo) Julho de 2009, quando regressava de Bayona a bordo do "Véronique"

O "Argus", lugre bacalhoeiro a motor, de 4 mastros, foi comprado em 2009 pela Pascoal, que entretanto aguarda parceiros para a sua recuperação, como sucedido com o "Santa Maria Manuela".

domingo, 26 de dezembro de 2010

Natal nas cercanias do Mar da Palha "O Tenebroso"

Hoje o dia amanheceu frio, sol, mas frio, como é normal ao fim de semana, salto da cama, equipo-me apressadamente, monto uma das minhas "Famosas" e percorro a milha maritima que me separa do barco, fiz uma pequena paragem no "14", o rio lá estava, lindo como só ele.


Uma "famosa" no "14" com vista para o Mouchão d'Alhandra.


Vista para montante

Bico Sul do Mouchão d'Alhandra, ao longe, o Mar da Palha, "Tenebroso" como só ele.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Entre tempestades e "bonanzas"

Entre uma coisa e outra, o S. Pedro presenteia-nos com uns belos dias de Outono nas cercanias do Tenebroso Mar Da Palha, um sábado sem vento com um rio de azeite e o Deus Apolo incidir uns raios sobre todo este cenário, a temperatura amena permitiu a deslocação de Bike até ao barco, aproveita-se para abrir os albóis e arejar as locas.
Não alheio a tudo isto estava o nosso corvo marinho, que aproveitava para secar as asas, enquanto o movimento dos passeantes ainda não se acentuava, também não se importava muito com a minha presença enquanto lhe tirava as fotos com a minha máquina de bolso, que por acaso até dá para telefonar.
Coisas de um Ribatejo profundo, na borda d'agua da Mui Nobre Vila d'Alhandra.

Em fundo, o meu companheiro de viagens que neste ano controverso ficaram um bocado aquém das expectativas. Para o ano vai ser diferente, digo eu, a ver vamos.