quarta-feira, 7 de abril de 2010

I bet I hear you calling
But I can't come home right now
Me and the boys are sailing
And we just can't hear a sound

Just a few more hours
And I'll be right home to you
I think I hear them calling
but, what can I do
but what can I do

You say you feel so empty
That our house just ain't our home
I'm always somewhere else
And you're always there alone

Just a few more hours
And I'll be right home to you
I think I hear them calling
but, what can I do
But, what can I do

But, I know you're lonely
And I hope you'll be alright
'Cause me and the boys will be sailing all night

domingo, 4 de abril de 2010

De volta na água

Um dos maiores ícones de águas de arriba Tejo, está de volta na água, como dizem os marinheiros, "barco parado não faz viagem", fomos por água acima na abertura da época estival.
A meteorologia não estava muito convidativa, mas já tivemos pior, d'Alhandra apenas saiu o "Fulô" (o tal que vale por 3), e o "Falua", por voltas das 1430 do dia 2 de Abril largaram amarras da Mui Nobre e Real Marina d'Alhandra com destino á vila ribatejana de Valada do Ribatejo.
Esta nossa primeira viagem do ano, estava envolta em grandes duvidas quanto ás condições que iríamos encontrar no plano de água acima, senão vejamos:
Muito lixo, troncos ainda a derivar, o provável assoreamento das calas navegáveis devido ás enxurradas, e para compor o ramalhete, um batelão que havia sido arrastado pelas águas e estava afundado em parte mais ou menos incerta do canal de acesso a Valada.
Com tais incertezas pela frente colocámos como ponto de partida o inicio da enchente, pelo que iríamos em cima da primeira água, outra condição "cinequanon" era de que baixaríamos as velas em frente a Salvaterra, para fazermos a ultima parte do percurso o mais cuidadosamente possível.
E com tais incógnitas pela proa, lá nos fizemos água acima, mas afinal não estava tudo virado do avesso como pensávamos, as calas estão lá, no mesmo sitio, navegáveis, no entanto os cabeços estão mais assoreados, ficando visíveis com maior altura de água, nomeadamente, na zona da ponte da Lezíria e nas Obras (Azambuja), entre a Vala de Salvaterra, Lezirão e Quinta das Areias, e já com as velas em baixo, passamos na lotaria de bóias, redes abandonadas e em uso.
Faltava o desafio final, o batelão desaparecido, assim que nos aproximámos do enfiamento do pinheiro, vimos uma forma de charuto que sobressaía das águas, era ele, devido ao baixar dos níveis das "águas de cima", já aflorava á superfície mostrando o costado de BB, estando deitado sobre o seu EB, mesmo ali, ocupando o ultimo terço do canal de acesso, bem em frente á Ilha dos Pássaros (ou do Amaral).

Depois de nos juntarmos á flotilha da ANC que já se encontrava atracada no pontão, chegámos á conclusão que está tudo na mesma, mas em versão "pior", se queremos condições temos de as levar connosco, a água potável continua a 300 metros de distancia, os 10 metros de distancia ao poste de electricidade continuam num horizonte longínquo, mas se o que nós queremos é sossego e adormecer ao som do sino da igreja, se calhar o melhor é ficar tudo assim.

E valada é assim mesmo, o progresso passa ao lado, e no fundo até gostamos.

O regresso fez-se no domingo na vazante da manhã, com um NE fresquinho, com o pessoal a abrir pano á passagem por Salvaterra e uma velejadela de muito luxo até á Mui Nobre Vila d'Alhandra, onde aportámos pelas 1400 horas locais.

(Dedico esta minha primeira viagem d'agua acima deste ano, a todos os gloriosos navegadores dos barcos em terra, e Patrões de Esplanada)

terça-feira, 30 de março de 2010

"Por favor, ponham-me na água"

A frase em titulo "reminds me" um filme da minha infância, sobre um miúdo americano que constrói uma miniatura de um barco, chama-lhe "rumo ao mar" e lança-o na corrente do rio que passava na sua aldeia, não sem antes escrever no casco a frase "por favor, ponha-me de volta na água".

Durante o percurso o barquinho é apanhado várias vezes por curiosos e é sempre colocado na água "rumo ao mar", onde chega, completamente desfigurado, é apanhado por um faroleiro que o recupera e o volta a lançar ao mar.

Este, não sendo assim tão pequeno, também não se sente muito bem em terra, nem ele nem eu, no final da semana volta para a água, a Páscoa é em Valada, assim como o Bacalhau é no Baptista, ovos moles é em Aveiro, os trouxas levantam-se ás oito, os cães ladram e a caravana passa.

(Ah, e o barrete serve a quem o enfiar!)

terça-feira, 9 de março de 2010

Vinte e um anos e um mês depois...

Saí...
Tinha chegado o momento, o dia em que tive de dizer, “já chega”, foram 21 anos e um mês de serviço exactamente, bati á porta e disse que me queria ir embora, e saí, julgo que pela porta da frente, com o sentido de dever cumprido, quis seguir o que acho que está certo, felizmente sou daqueles que agarro as oportunidades de fazer o que gosto, graças a Deus propostas não faltam.

Houve algumas interrogações á volta da minha saída, os porquês, vou para melhor ou para pior não sei, mas saio porque gosto de ter prazer no que faço, tal não estava a acontecer, saio também por respeito, respeito por quem quer ficar e por aqueles que não têm respeito por ninguém, e isto de passar de bestial a besta de um momento para o outro, não serve para o filho do meu pai.
Até poderia continuar mais uns aninhos a fazer de conta, mas como disse a quem de direito, não seria justo, e há que separar os contentinhos dos que fazem história, a história faz-se daqueles que enfrentam as adversidades e dão a cara, sempre dei a cara, até o momento em que já estava a dar mais do que me era possível, já não dava mais.

Na hora da saída disseram-me que a casa era minha, e quem sabe um dia poderia voltar integrado num outro projecto, não sei, o tempo o dirá.
Agora o tempo é de mudança, á dois anos foi na vida pessoal, agora é na vida profissional, a ideias amontoam-se, os projectos estão em andamento, vamos navegar, sempre um pouco mais além, com aquele brilhozinho nos olhos e com o espírito que alguém que sonha em ter o mar como horizonte.

primus inter pares”

segunda-feira, 8 de março de 2010

Tava dificil...

E é verdade, tava difícil, o mau tempo das ultimas semanas estava a fazer das suas, e teimava em não nos proporcionar uma janela de tempo para a nossa voltinha, no fim de semana passado, ainda fizemos uma tentativa de sair, mas quando solicitei via VHF a respectiva autorização para sair as comportas da marina do Parque das Nações, a resposta foi "negativo", a amplitude da maré não permitia a abertura, nem podíamos acreditar, alguma vez tinha de acontecer, o Rui não se conformava, e perguntava-me repetidas vezes se eu tinha ouvido bem.

Este fim de semana o caso mudou de figura, o tempo estava mais ameno, lá combinámos o nosso almoço a bordo, o belo do frango, como diz o Rui, e depois do repasto lá fomos fazer o gosto ao dedo, por esse Mar da Palha fora, que desta vez, bem se poderia chamar "Mar do Barro" pois essa era a cor da água.
Para os lados de Cacilhas também se passeava
Um ventinho incerto de SSW que vinha entre os 9 e os 21 nós, coisa pouca, com tendência a rondar para Norte e a cair, para o final da tarde.

O regresso foi efectuado com o assimétrico no ar, O Rui não parava quieto e não descansava enquanto o balão não ficava no ponto, no intervalo das afinações ainda foi fazer o chá das 5, sempre reconfortante, já com o Norte a entrar mas com tendência para cair á chegada ao nosso destino, entrámos na comporta Este da marina com o sol a pôr-se.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Por terras (águas) do Ribatejo Profundo

Hoje saio d'Alhandra com destino á vila ribatejana de Salvaterra de Magos, pelo caminho reparo nalguns sinais nada a acolhedores, a "estrada do campo" está inundada, bem vamos pela recta do cabo como todos os condutores normais, á passagem por Benavente vê-se muita água nos campos, ou seja não se vê campo, "isto não é nada bom".
A vala de Benavente descarrega para as margens, a vala Nova está cheia e descarrega para o Tejo, a vala de Salvaterra está com cerca de 2 metros de água a a mais que em condições normais e estamos no baixa-mar.
Castelo de Bode, Fratel e Belver, têm as goelas abertas, vem muita água de cima, um preia-mar de 3,75m perto das 15h 10, não seria de muita preocupação, se a isto tudo não se viesse juntar um vento de Sul entre os 30 e 40 nós, a empurrarem a água para cima.

Um baixa-mar muito invulgar em Salvaterra de Magos





A vala de Benavente galgou as margens



Campos de Benavente

A estrada do campo, por acaso não trouxe uma piroga

A vala Nova a receber as águas do campo

Chegados á Mui Nobre Vila d'Alhandra, o cenário era de um Tejo em vias de galgar as margem e invadir a vila, situação que não via deste á muitos anos, acontecia normalmente nas maiores marés vivas do equinócio de Setembro, consegui subir ao Volare que se encontra a seco, "in extremis" coloquei as galochas, vulgo botas d'água, e venha ela.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Rio acima, do Parque das Nações até á Alhandra

Numa parceria entre a revista DoBarco e a Marina do Parque das Nações, foi organizada uma subida do nosso Tejo entre esta e a carismática Vila d'Alhandra, foi um chamada para aqueles que ainda não conheciam as infraestruturas criadas na zona Oriental de Lisboa e também para o facto de que subir o rio, não é nenhum bicho de sete cabeças.
Claro que a navegação na Cala das Barcas não é fácil, mas cumprindo religiosamente o sentido da balizagem tudo se torna mais fácil, voltando a dizer, cumpra-se a devida prudência marinheira.


Foi entregue um roteiro devidamente actualizado, e fomos rio acima com o "Fulô" e o "Blue Seven"a indicar o caminho, a saída da marina foi efectuada por volta das 1030 e já se fazia sentir a enchente.

O vento estava pela proa, mas logo á passagem pela Vasco da Gama deu para içar velas e foi um bordo directo, se bem que sempre numa bolina cerrada até Alhandra.

Cumprimos a balizagem "á la carte", num roteiro com os pontos de passagem elaborados por "moi même", (não fosse eu um prático do Mar da Palha), e mesmo com pouco tempo de enchente o mínimo de Sonda á Hora que apanhámos foi de 4,10m, e pasmem-se, na polémica Bóia nº1, (agora reposicionada) passa-se á vontade, mais uma vez, cumpra-se a balizagem.

Á chegada á nossa Vila, a bateria não estava lá para dar arranque ao motor, pelo que a atracagem foi de improviso e de braço dado ao Honda Marine do Pedro.

Após o almoço sempre bem confeccionado no "Voltar ao Cais", empreendemos a viagem de regresso a Lisboa, se bem que a coisa não estava para meninos, isto lá para os lados do Tenebroso MDP, a entrada nas comportas foi a mais atribulada que já fizemos, com o "Blue Seven" a surfar nas bailadeiras.
Como sempre, o dia acaba com o belo café a bordo e com a devida análise do dia de navegação.