Um dos maiores ícones de águas de arriba Tejo, está de volta na água, como dizem os marinheiros, "barco parado não faz viagem", fomos por água acima na abertura da época estival.
A
meteorologia não estava muito convidativa, mas já tivemos pior, d'Alhandra apenas
saiu o "
Fulô" (o tal que vale por 3), e o "
Falua", por voltas das 1430 do dia 2 de Abril largaram
amarras da Mui Nobre e Real Marina d'Alhandra com destino á vila ribatejana de Valada do Ribatejo.

Esta nossa primeira viagem do ano, estava envolta em grandes duvidas quanto ás condições que iríamos encontrar no plano de água acima, senão vejamos:
Muito lixo, troncos ainda a derivar, o provável assoreamento das calas navegáveis devido ás enxurradas, e para compor o ramalhete, um batelão que havia sido arrastado pelas águas e estava afundado em parte mais ou menos incerta do canal de acesso a Valada.
Com tais incertezas pela frente colocámos como ponto de partida o inicio da enchente, pelo que iríamos em cima da primeira água, outra condição "cinequanon" era de que baixaríamos as velas em frente a Salvaterra, para fazermos a ultima parte do percurso o mais cuidadosamente possível.
E com tais incógnitas pela proa, lá nos fizemos água acima, mas afinal não estava tudo virado do avesso como pensávamos, as calas estão lá, no mesmo sitio, navegáveis, no entanto os cabeços estão mais assoreados, ficando visíveis com maior altura de água, nomeadamente, na zona da ponte da Lezíria e nas Obras (Azambuja), entre a Vala de Salvaterra, Lezirão e Quinta das Areias, e já com as velas em baixo, passamos na lotaria de bóias, redes abandonadas e em uso.
Faltava o desafio final, o batelão desaparecido, assim que nos aproximámos do enfiamento do pinheiro, vimos uma forma de charuto que sobressaía das águas, era ele, devido ao baixar dos
níveis das "águas de cima", já aflorava á
superfície mostrando o costado de
BB, estando deitado sobre o seu
EB, mesmo ali, ocupando o ultimo terço do canal de acesso, bem em frente á Ilha dos Pássaros (ou do Amaral).

Depois de nos juntarmos á flotilha da ANC que já se encontrava atracada no pontão, chegámos á conclusão que está tudo na mesma, mas em versão "pior", se queremos condições temos de as levar connosco, a água potável continua a 300 metros de distancia, os 10 metros de distancia ao poste de electricidade continuam num horizonte longínquo, mas se o que nós queremos é sossego e adormecer ao som do sino da igreja, se calhar o melhor é ficar tudo assim.
E valada é assim mesmo, o progresso passa ao lado, e no fundo até gostamos.
O regresso fez-se no domingo na vazante da manhã, com um NE fresquinho, com o pessoal a abrir pano á passagem por Salvaterra e uma velejadela de muito luxo até á Mui Nobre Vila d'Alhandra, onde aportámos pelas 1400 horas locais.
(Dedico esta minha primeira viagem d'agua acima deste ano, a todos os gloriosos navegadores dos barcos em terra, e Patrões de Esplanada)