segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Por águas de arriba Tejo

Neste fim de semana, almoçando na borda d'água, lembrava-mos dos imensos Verões de passados na pitoresca e mui sui géneris vila ribatejana de Valada do Ribatejo, entre risadas tropelias e galhofas, a Luísa (Piu-Piu Team), lembrou-se que tinha umas fotos tirada no fim de semana passado, em que tinha andado a "navegar" pelas alagadas estradas d'água acima.

Jacintos lenha e todo o tipo de lixo entalado no pontão

Insensíveis aos dissabores da mãe natureza, os senhores do pontão, mantêm as suas posições


Vias de acesso a Valada quase, quase submersas

Acesso de Vale da Pedra a Valada

Planície ribatejana invadida pelas "águas de cima"

Aos poucos o rio volta ao seu leito natural, Castelo de Bode, Fratel e Belver já fecharam as "torneiras", estas terras agora fertilizadas dentro de pouco tempo vão receber as campanhas de tomate e melão, as gentes voltam aos campos, e nós navegadores d'água acima lá estaremos de volta na Páscoa para o inicio das nossas campanhas e das nossas conversas sempre á volta do mesmo, as redes e o meixão, ele é a tasca do mal encarado e da sua esposa malcriada, os senhores do pontão e pontão, o Flores e o trimarã, o Amaral e a Medusa, o Piu-Piu e o Piu-Piu, a Ti-Rosa e os bitoques, o Cristovão e o seu super DC "Paradise" e muitas mais conversas de algibeira.

Enfim, saudades de Valada.

sábado, 23 de janeiro de 2010

A seco

O barco mais bonito da Mui Nobre e Real Marina d'Alhandra já está a seco, eram o8h 30m quando subiu pela rampa de alagem norte, a manobra decorreu sem incidentes de maior e foi devidamente auxiliada pelo Cmdt Mega a cargo da manobra de cabos em terra e o arrais Béuzinho no alinhamento e comandos do guincho.


Acabadinho de sair da água, ainda com o casco sujo


2 horinhas depois, já de cara lavada e casco limpo


O N.V.Volare, grande companheiro de viagens d'água acima, acusava o desgaste de 10 meses nas turvas águas do maior Rio Ibérico, as cracas apoderavam-se de algumas partes do casco, as saídas de água estavam atrofiadas, o fundo com nateiro, enfim, vem para terra a fim de se alindar novamente.
Finalizado um ano em que se fartou de navegar, em que passámos férias juntos e regateamos, este que para mim é e será sempre o melhor veleiro do universo (e arredores), para navegar em águas interiores e restritas, vai ter uns merecidos 2 meses de descanso, na Páscoa voltamos á faina.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Frio, chuva e bons ventos

Como vem sendo normal, os domingos começam a ser dia de S. Blue Seven, hoje não foi excepção, apesar do frio, muito, que se fazia sentir nas cercanias do Mar Da Palha e de uma chuva que ameaçava chegar, também muito fria, digamos que gélida, eu o o Rui não faltamos á nossa chamada, apesar de, por motivos de agenda não conseguirmos almoçar a bordo, era próximo das 15 horas quando saímos as comportas da Marina do Parque das Nações para mais uma velejadela.
Digamos que foi talvez a melhor velejadela que já demos no Blue Seven, quanto mais conhecemos este barco mais ele nos surpreende, eu que estava receoso quanto aos Bavaria, não tinha escutado grandes opiniões e o que tinha ouvido não era grande coisa, mas também sabemos que o Genuíno Madruga deu duas voltas ao mundo num Bavaria 36, irmão deste, logo não poderia ser mal de todo.
Desde o primeiro dia que pegámos nele, ficámos admirados com o seu comportamento, fomos buscá-lo a Oeiras e o tempo não estava para meiguices, a partir desse momento, vimos que tínhamos barco.
Desde então temos andado em testes de mareações e afinações, testamos comportamentos e o resultado não pode ser melhor, a partir do momento em que se consegue afinar e obter o equilíbrio na mareação, temos barco.

A tarde começava com um ventinho de SE de 13/15 nós, com o Rui ao leme e comigo nas manobras de cabos e no piano, afim de me ambientar também ás afinações do barco, normalmente a cargo do Rui.

Rapidamente a tendência do vento foi para aumentar de intensidade, situando-se entre 19 e 20 nós, alcançando por vezes os 23, a tendência a bordo também foi a minha passagem para o leme ficando o Rui na manobra e nas afinações, a maré vazante fazia-se sentir com muita intensidade, as bolinas eram trabalhosas e até alcançarmos o canal do Alfeite a progressão era penosa, a partir de certa altura perdi de vista o Rui que contrariando as leis da gravidade, conseguiu fazer um chá bem quente, a partir desse momento as coisas ficaram um pouco mais fáceis e foi um bordo directo até ao Parque das Nações, onde chegámos juntinho ás 19 horas.

O dia acabou comigo a tomar um grande duche a escaldar nos explendidos balneários da marina, apenas fui interrompido pelo marinheiro de serviço que estranhando a minha demora foi á minha procura, não me tivesse acontecido alguma coisa má no duche.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Os jacintos

Conforme havia-mos previsto. eles aí estão, os malfadados jacintos, , demoraram 2 dias a chegar á nossa terra e começam a invadir a marina.
Com as enxurradas a invadir a lezíria ribatejana, as valas abriram as comportas e os jacintos invadem o Tejo, agora vão andar água acima e água abaixo até alcançarem o mar, com o fluxo e refluxo da maré ainda vão andar por aqui uma semana ou duas, para depois escassearem, alguns vão ficando depositados nas margens empurrados pelo vento.

Os espectadores dizem que o rio fica mais cheio de vida, para quem navega, é sinónimo de perigo para a navegação, alguns formam pequenas ilhas de dimensões consideráveis com aglomerados de troncos de árvores que também foram arrastados pelas águas.

Agora o cenário vai ser este, a deriva rio abaixo, rio acima.

A marina começa a ser invadida, os barcos ficam envoltos por um manto verde asfixiante

O nosso Chico do Cabo da Vila, (arrais do clube) faz os impossiveis para afastar os jacintos da marina, mas ele é só um, eles são muitos e vêm de todos os lados.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Primeiro de Janeiro

E como seria a melhor maneira de começar o ano?
A resposta é simples, a navegar claro.
Mais uma vez o "Blue Seven" foi a unica embarcação a sair da Marina do Parque das Nações, depois de meter uma cunha ao pessoal de serviço para atrasarem o fecho das comportas, lá conseguimos autorização de saída para cumprirmos a voltinha da praxe.
Demos uma velejadela sem história no tenebroso Mar da Palha, desta vez calmo demais para o que estamos habituados.

No ETA estabelecido com o pessoal de serviço, entrámos pela comporta e mais uma vez esta se fechou á nossa passagem, desta vez estavam mesmo á nossa espera.

O Dani, navegador destemido que no dia anterior havia largado da Mui Nobre Marina d'Alhandra com destino á Doca do Espanhol, juntou-se a nós na Marina e acompanhou-nos nesta passeata.

O primeiro pôr do sol do ano, zona oriental de Lisboa vista de um calmo Mar da Palha.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Alhandra, 30 de Dezembro de 2009

Com o Ribatejo assolado pelas descargas das barragens, Reguengo do Alviela isolada, na Mui Nobre Vila d'Alhandra, o nosso Tejo teima em não sair das margens, a uma hora de um Preia-mar de 3,41m, apenas um vento de Sul ainda empurra as águas para cima, não se fazendo notar o fluxo da enchente que é empurrada para baixo pelas "águas de cima".




As gentes do Ribatejo profundo, habituadas a estas coisas de cheias, dizem que é bom para os campos, "arrebenta" com as nascentes, enche os furos e limpa as ribeiras.

Por aqui aparecem os malfadados jacintos, uns peixes esquisitos vindos de Espanha chamados Lucios, uns caranguejos grandes e os lagostins d'agua doce.

A Marina começa a ficar despida de mastros e a perder a sua graça, os barcos vêm a terra para serem reparados, na Páscoa voltam para a água, depois da tempestade vem o Bonanza.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Momentos 2009

Bayona "A Real", a tripulação do "NVV Véronique" tinha chegado a este porto da Galiza com a mui nobre missão de fazer regressar a embarcação ao seu porto, sito no trapiche da AVELA, em Aveiro.
Estava a tripulação a malhar um Gin no "Mar & Arte", quanto somos informados que estava toda uma frota Lusitana reunida na rua do "El Capitan", uns já vinham de Arcachon, outros da Corunha e outros andavam pelas Rias Baixas.
Na foto Cmdt Machadinho, Cmdt Delmar Conde, Cmdt Chico Albino, Imediata Isabel, Cmdt Julio e o Je.
No dia seguinte pelas 17 horas locais, uma frota Ibérica saíu da baía de Bayona com destino á Veneza Portuguesa.

*

Marina do Parque das Nações, surgiu com a Expo 98, tendo ficado conhecida na altura como a Marina da Expo.

Cedo se começaram a sentir as consequências dos erros de projecto, um quebra-mar flutuante mostrava-se completamente inadequado para suster os temporais do Mar da Palha, a susbstituição do quebra-mar flutuante por enrocamento tambem não foi solução e o constante assoreamento levou a que esta infraestrutra depressa passa-se a ser conhecida como "O maior tanque de lama da Europa"

A 11 de Abril de 2002, a Direcção da ANMPN foi recebida pela Parque Expo, SA. Nessa reunião, foi manifestada a intenção de ambas as partes, de trabalharem em conjunto para a resolução dos problemas que afectavam a Marina, evitando tanto quanto possível a via litigiosa. Tratava-se do futuro da Marina que está em jogo, como local de lazer e polo dinamizador de actividades náuticas na área do Parque das Nações em termos de Qualidade, Segurança e respeito pelo Meio Ambiente, dignificando aquele local como uma referência em termos de lazer.

No dia 16 de Novembro de 2007, ou seja, cinco anos e meio depois do encerramento da marina e saída das embarcações, o Conselho de Administração da Parque Expo,SA anunciou, finalmente, a adjudicação da obra de reabilitação, estando o prazo de conclusão fixado em 18 meses.

Agosto de 2009, com o arrais "Bolha" ao leme, o NV Volare entra pela comporta da bacia Sul e (re) inaugura a Marina do Parque das Nações.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Mensagem de Natal e Ano Novo

Camaradas, amigos, navegantes e palhaços desta vida, está a acabar mais um ano, e devo confessar que não foi fácil, esperanças, ilusões, desilusões, enfim, houve de tudo um pouco.
Colocando tudo nos pratos da balança, o saldo foi positivo, ou seja, ficámos um pouco acima da linha d'água, ainda não foi desta que fomos ao fundo.
Salvaram-se as navegações, Alhandra, Valada, Salvaterra, Seixal, Oeiras, Cascais, Aveiro, Porto, Leixões, Vila do Conde, Vigo, Bayona, sempre que pude disse "pronto a embarcar".
Vem aí um novo ano, as esperanças mantêm-se, há novos projectos na forja, o ano anuncia-se de mudança, o coração ainda balança entre o encostar o N.V.Volare e partir para navegações mais longinquas, nada está ainda decidido.
O mais certo é ficarmos por estes lados, o Rui, o Pedro e o "Blue Seven", tambem entraram pela minha imaginação dentro e a fasquia fica um bocado mais alta, os projectos e as ideias amontoam-se, temos só que descobrir como montar as peças para a engrenagem funcionar, algo se há-de arranjar.
Se nesta altura me perguntar o que vou fazer no próximo ano, teria de responder a mim mesmo que "ainda não sei", mas uma coisa é certa, vou navegar.
A todos os que me acompanham por aqui nestas andanças, aqueles que contribuiram para que este ano fosse um bom ano da minha vida, sendo com um sorriso, uma palavra, um conselho, enfim com qualquer coisa, fica aqui um desejo de um bom ano de 2010 para todos.
Vamo-nos vendo por aí, com aquele brilhozinho nos olhos, e com o espirito de alguem sempre mais além, que um dia espera ter o mar como Horizonte.

domingo, 20 de dezembro de 2009

20-12-09, um dia muito frio

"João, amanhã a que horas podes estar no "Blue Seven?"
Era o sms do Rui, para mais uma saída no barco que mais saí na Marina expo, aliás, arrisco a dizer que desde que acabou o verão, somos os unicos utentes que saem por aquelas comportas.
Hoje não foi excepção, a Marina vazia de utentes, o marinheiro de serviço vem logo ajudar na manobra, quiçá até satisfeito por se sentir útil.
Após o almoço confecionado a bordo, saímos por volta das 14 horas rumo aos lados de Belém.
Eu agarrava-me á roda de leme e o Rui como sempre verificava as afinações e a punha-me os nervos em franja com as passeatas á volta do barco em plenas surfadas dignas deste Tenebroso Mar da Palha.

Deu para tudo, largos a surfar por esse Mar da Palha fora, popa rasa em Alcantara, o vento aparente enganava na sua intensidade, quando virámos de bordo em frente a Sto Amaro, é que vimos que o tipo estava bruto, mas certinho, uns 24 nozes de luxo vindos de Leste, que nos obrigou a trabalhar um bocado, o Rui no piano esforçava-se por afinar o barco para conseguirmos ter navegação equilibrada nas bolinas.

"Agarra-te ao pincel que eu vou tirar a escada"

A melhor opção foi vela grande no 1º rizo e reduzir a genoa a 110%, e lá conseguimos uma navegação equilibrada, bastante adornados, mas controlado.
Rumo á Margem Sul após a Pt 25 de Abril, viragem de bordo na confluência do canal do Alfeite com o canal do Barreiro e demos um rumo directo á Expo.
Era noite quando entrámos as comportas, mais uma vez estas se fecharam após a nossa entrada, e mais uma vez dissemos, "estavam á nossa espera".
Um barco, dois gatos pingados, e uma estrutura de milhões de euros ao nosso serviço.
Mais um grande dia de Inverno para navegar, frio, muito, mas vale a pena, acima de tudo, pelo prazer de navegar e navegar por prazer.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Aviso aos Navegantes D'agua Acima

Atlantico Norte - Portugal Continental - Porto de Lisboa - Cala das Barcas

Posição da Boia nº 1 - Lat 38º 49' 608 N Long 009º 02' 548 W

Coordenadas de GPS referidas ao Datum WGS 84



Aproximando-se as quadras festivas da passagem d'ano, Carnaval e Páscoa, em que o pessoal d'agua acima se mete por água ábaixo e vice-versa e como assim persistirem as conversas de bar e esplanada sobre a situação da Cala das Barcas, nomeadamente junto á Boia nº1, que foi recolocada na posição acima indicada, cumpre-me informar do seguinte:
(Ah, não confundir com a Boia nº3, porque essa tá colocada em seco, no Mouchão do Lombo do Tejo, e quem passar por lá encalha de certeza).

Em viagem efectuada num dia com um PRM de 2,94, altura referida ao nivel do Zero Hidrográfico, passei junto á mesma (no sentido correcto da balizagem), foi verificado o seguinte valor:

A sonda á hora foi de 4,70 m, na altura do estofo da maré.
A BXM nesse dia foi de 1,01 m.
Daqui poderemos tirar os seguintes dados:

Altura de PRM: 2,94 m
Atlura de BXM: 1.01 m
Amplitude de maré: 1,93 m (PRM - BXM)
Sonda á Hora: 4,70 m (SR + PRM)
Sonda Reduzida: 1,76 m (PRM - SH)
Se á Sonda Reduzida somar-mos a altura de BXM, neste dia passariamos no BXM, safos com uma Sonda á Hora de 2,77 m
Estes valores são referidos cerca de 0,50 cm abaixo da linha d'agua.

Pelo que julgo poder afirmar, que cumprindo a Balizagem passamos sem problemas, não quero deste modo contradizer aqueles que afirmam que tem de se passar 1oo m da bóia, outros dizem que é ao contrário, outros nem sequer sabem qual é a bóia e vão passando, outros encalhando.

È claro que este apontamento apenas serve de referência, os destemidos marinheiros deverão sempre tomar as devidas precauções que a prudência marinheira assim o aconselhar.