quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Alhandra, 30 de Dezembro de 2009

Com o Ribatejo assolado pelas descargas das barragens, Reguengo do Alviela isolada, na Mui Nobre Vila d'Alhandra, o nosso Tejo teima em não sair das margens, a uma hora de um Preia-mar de 3,41m, apenas um vento de Sul ainda empurra as águas para cima, não se fazendo notar o fluxo da enchente que é empurrada para baixo pelas "águas de cima".




As gentes do Ribatejo profundo, habituadas a estas coisas de cheias, dizem que é bom para os campos, "arrebenta" com as nascentes, enche os furos e limpa as ribeiras.

Por aqui aparecem os malfadados jacintos, uns peixes esquisitos vindos de Espanha chamados Lucios, uns caranguejos grandes e os lagostins d'agua doce.

A Marina começa a ficar despida de mastros e a perder a sua graça, os barcos vêm a terra para serem reparados, na Páscoa voltam para a água, depois da tempestade vem o Bonanza.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Momentos 2009

Bayona "A Real", a tripulação do "NVV Véronique" tinha chegado a este porto da Galiza com a mui nobre missão de fazer regressar a embarcação ao seu porto, sito no trapiche da AVELA, em Aveiro.
Estava a tripulação a malhar um Gin no "Mar & Arte", quanto somos informados que estava toda uma frota Lusitana reunida na rua do "El Capitan", uns já vinham de Arcachon, outros da Corunha e outros andavam pelas Rias Baixas.
Na foto Cmdt Machadinho, Cmdt Delmar Conde, Cmdt Chico Albino, Imediata Isabel, Cmdt Julio e o Je.
No dia seguinte pelas 17 horas locais, uma frota Ibérica saíu da baía de Bayona com destino á Veneza Portuguesa.

*

Marina do Parque das Nações, surgiu com a Expo 98, tendo ficado conhecida na altura como a Marina da Expo.

Cedo se começaram a sentir as consequências dos erros de projecto, um quebra-mar flutuante mostrava-se completamente inadequado para suster os temporais do Mar da Palha, a susbstituição do quebra-mar flutuante por enrocamento tambem não foi solução e o constante assoreamento levou a que esta infraestrutra depressa passa-se a ser conhecida como "O maior tanque de lama da Europa"

A 11 de Abril de 2002, a Direcção da ANMPN foi recebida pela Parque Expo, SA. Nessa reunião, foi manifestada a intenção de ambas as partes, de trabalharem em conjunto para a resolução dos problemas que afectavam a Marina, evitando tanto quanto possível a via litigiosa. Tratava-se do futuro da Marina que está em jogo, como local de lazer e polo dinamizador de actividades náuticas na área do Parque das Nações em termos de Qualidade, Segurança e respeito pelo Meio Ambiente, dignificando aquele local como uma referência em termos de lazer.

No dia 16 de Novembro de 2007, ou seja, cinco anos e meio depois do encerramento da marina e saída das embarcações, o Conselho de Administração da Parque Expo,SA anunciou, finalmente, a adjudicação da obra de reabilitação, estando o prazo de conclusão fixado em 18 meses.

Agosto de 2009, com o arrais "Bolha" ao leme, o NV Volare entra pela comporta da bacia Sul e (re) inaugura a Marina do Parque das Nações.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Mensagem de Natal e Ano Novo

Camaradas, amigos, navegantes e palhaços desta vida, está a acabar mais um ano, e devo confessar que não foi fácil, esperanças, ilusões, desilusões, enfim, houve de tudo um pouco.
Colocando tudo nos pratos da balança, o saldo foi positivo, ou seja, ficámos um pouco acima da linha d'água, ainda não foi desta que fomos ao fundo.
Salvaram-se as navegações, Alhandra, Valada, Salvaterra, Seixal, Oeiras, Cascais, Aveiro, Porto, Leixões, Vila do Conde, Vigo, Bayona, sempre que pude disse "pronto a embarcar".
Vem aí um novo ano, as esperanças mantêm-se, há novos projectos na forja, o ano anuncia-se de mudança, o coração ainda balança entre o encostar o N.V.Volare e partir para navegações mais longinquas, nada está ainda decidido.
O mais certo é ficarmos por estes lados, o Rui, o Pedro e o "Blue Seven", tambem entraram pela minha imaginação dentro e a fasquia fica um bocado mais alta, os projectos e as ideias amontoam-se, temos só que descobrir como montar as peças para a engrenagem funcionar, algo se há-de arranjar.
Se nesta altura me perguntar o que vou fazer no próximo ano, teria de responder a mim mesmo que "ainda não sei", mas uma coisa é certa, vou navegar.
A todos os que me acompanham por aqui nestas andanças, aqueles que contribuiram para que este ano fosse um bom ano da minha vida, sendo com um sorriso, uma palavra, um conselho, enfim com qualquer coisa, fica aqui um desejo de um bom ano de 2010 para todos.
Vamo-nos vendo por aí, com aquele brilhozinho nos olhos, e com o espirito de alguem sempre mais além, que um dia espera ter o mar como Horizonte.

domingo, 20 de dezembro de 2009

20-12-09, um dia muito frio

"João, amanhã a que horas podes estar no "Blue Seven?"
Era o sms do Rui, para mais uma saída no barco que mais saí na Marina expo, aliás, arrisco a dizer que desde que acabou o verão, somos os unicos utentes que saem por aquelas comportas.
Hoje não foi excepção, a Marina vazia de utentes, o marinheiro de serviço vem logo ajudar na manobra, quiçá até satisfeito por se sentir útil.
Após o almoço confecionado a bordo, saímos por volta das 14 horas rumo aos lados de Belém.
Eu agarrava-me á roda de leme e o Rui como sempre verificava as afinações e a punha-me os nervos em franja com as passeatas á volta do barco em plenas surfadas dignas deste Tenebroso Mar da Palha.

Deu para tudo, largos a surfar por esse Mar da Palha fora, popa rasa em Alcantara, o vento aparente enganava na sua intensidade, quando virámos de bordo em frente a Sto Amaro, é que vimos que o tipo estava bruto, mas certinho, uns 24 nozes de luxo vindos de Leste, que nos obrigou a trabalhar um bocado, o Rui no piano esforçava-se por afinar o barco para conseguirmos ter navegação equilibrada nas bolinas.

"Agarra-te ao pincel que eu vou tirar a escada"

A melhor opção foi vela grande no 1º rizo e reduzir a genoa a 110%, e lá conseguimos uma navegação equilibrada, bastante adornados, mas controlado.
Rumo á Margem Sul após a Pt 25 de Abril, viragem de bordo na confluência do canal do Alfeite com o canal do Barreiro e demos um rumo directo á Expo.
Era noite quando entrámos as comportas, mais uma vez estas se fecharam após a nossa entrada, e mais uma vez dissemos, "estavam á nossa espera".
Um barco, dois gatos pingados, e uma estrutura de milhões de euros ao nosso serviço.
Mais um grande dia de Inverno para navegar, frio, muito, mas vale a pena, acima de tudo, pelo prazer de navegar e navegar por prazer.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Aviso aos Navegantes D'agua Acima

Atlantico Norte - Portugal Continental - Porto de Lisboa - Cala das Barcas

Posição da Boia nº 1 - Lat 38º 49' 608 N Long 009º 02' 548 W

Coordenadas de GPS referidas ao Datum WGS 84



Aproximando-se as quadras festivas da passagem d'ano, Carnaval e Páscoa, em que o pessoal d'agua acima se mete por água ábaixo e vice-versa e como assim persistirem as conversas de bar e esplanada sobre a situação da Cala das Barcas, nomeadamente junto á Boia nº1, que foi recolocada na posição acima indicada, cumpre-me informar do seguinte:
(Ah, não confundir com a Boia nº3, porque essa tá colocada em seco, no Mouchão do Lombo do Tejo, e quem passar por lá encalha de certeza).

Em viagem efectuada num dia com um PRM de 2,94, altura referida ao nivel do Zero Hidrográfico, passei junto á mesma (no sentido correcto da balizagem), foi verificado o seguinte valor:

A sonda á hora foi de 4,70 m, na altura do estofo da maré.
A BXM nesse dia foi de 1,01 m.
Daqui poderemos tirar os seguintes dados:

Altura de PRM: 2,94 m
Atlura de BXM: 1.01 m
Amplitude de maré: 1,93 m (PRM - BXM)
Sonda á Hora: 4,70 m (SR + PRM)
Sonda Reduzida: 1,76 m (PRM - SH)
Se á Sonda Reduzida somar-mos a altura de BXM, neste dia passariamos no BXM, safos com uma Sonda á Hora de 2,77 m
Estes valores são referidos cerca de 0,50 cm abaixo da linha d'agua.

Pelo que julgo poder afirmar, que cumprindo a Balizagem passamos sem problemas, não quero deste modo contradizer aqueles que afirmam que tem de se passar 1oo m da bóia, outros dizem que é ao contrário, outros nem sequer sabem qual é a bóia e vão passando, outros encalhando.

È claro que este apontamento apenas serve de referência, os destemidos marinheiros deverão sempre tomar as devidas precauções que a prudência marinheira assim o aconselhar.

domingo, 29 de novembro de 2009

Um dia de Inverno no "Blue Seven"

"Tens programa para Domingo ou vamos navegar?"
Foi mais um telefonema do Rui apelando para uma saída no "Blue Seven", como não havia programa (e mesmo que houvesse), navegar é preciso e passa a ser palavra de ordem.
A Meteorologia não abonava muito a nosso favor, ameaçando chuva e vento nas cercanias do Mar da Palha, mas saímos da Marina Expo com uma boa janela de tempo, se bem que frio.
O Rui fazia umas passeatas para verificar as afinações

Cristo Rei na proa e 25 de Abril pela amura de EB

O vento estava pelos 12 nós de NW, e saímos com o pano todo no ar, mas á medida que nos apróximava-mos da capital o vento subia gradualmente com refregas a chegarem fácilmente aos 26 nós, que nos largos nos proporcionava pontualmente a velocidade estonteante de 12 nós, mas tambem obrigava o "Blue Seven" a monumentais orçadelas, pelo que a opção foi reduzir pano para equilibrar a questão.

Na orçadela, a vida começava aos 20 nós


Margem Sul

Num ápice estavamos em Cacilhas, rondámos 180º junto á 25 de Abril e viémos a surfar nas bailadeiras até perto de Stª Apolónia, onde o vento estava com tendência para cair, a corrente forte fazia-se sentir e a progressão tornou-se morosa, ao cair da noite a opção foi de ligar motor e baixar velas.

Um Iatezinho estacionado perto de Stª Apolónia

Era escuro e começava a chover quando entrámos na Marina, o pesssoal de serviço aguardava a nossa chegada podemos assistir pela primeira vez ao fecho das comportas.

Foi mais um belo dia de Inverno, frio, ventoso, chuvoso, mas a navegar.

(http://veleiroblueseven.blogspot.com/)

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O "cabeço" da nossa juventude

Um destes dias passava pela variante de V.F.Xira, reparei que a maré estava algures junto á baixa-mar e o "cabeço das Torres" estava "á mostra".

Esta era a palavra de ordem nos verões de á vinte e tal anos atrás, quando chegava á hora do cabeço ficar "á mostra", o pessoal pegava nos Kayaks e iamos aproveitar aquelas duas horitas de praia, que a maré nos oferecia, junto á margem Sul do Tejo, em frente á unidade da Marinha na Quinta das Torres.
Uma coisa é certa, a tradição ainda é o que era, o miudos da canoagem ainda continuam a disfrutar deste cabeço, assim que o calor aperta, começam as romarias para aproveitar a areia e as águas cálidas do nosso Tejo, que no Verão atingem os 28º C.
Fui frequentador assíduo do "cabeço", umas vezes aparelhava o "Moth Europe", outras pegava no K1 e pagaiava pouco mais de uma milha, para me regalar com aquela qualidade de vida, uma praia privada, no meio do Tejo, umas vezes só para mim, outras vezes tambem para o resto do maralhal.
Nos dias que correm, já não frequento com assiduidade, uso amiude para encalhar o "Volare" e limpar o fundo, mas será sempre o "cabeço" da minha juventude.

domingo, 15 de novembro de 2009

Temos barco

Este domingo foi dia de ir transportar o "Blue Seven", que após uma estadia em Oeiras, aterrou na Marina do Parque das Nações, onde vai ficar até ao final de Janeiro.
Saimos de Oeiras com um mar completamente desordenado de través em com vento do mesmo quadrante, chegando a soprar aos 29 kts, com o Blue Seven a portar-se muito bem na vaga e a proporcianar algumas pequenas surfadelas, mesmo com pano reduzido (o gajo não tava para brincadeiras) atingiamos fácilmente os 8 Kts (SOG).
Foi rápida a viagem e duas horitas depois estávamos a solicitar a autorização de entrada na Marina (desta feita da Expo).
Foi um pequeno teste de mar a provar que temos 36 pés de barco com provas dadas.
O Rui disfrutando dos 5 minutos em que o "deixei" fazer leme.
Lá mais por fora, um dos poucos que se aventuraram a sair
Porta de entrada para o Mar da Palha, onde a mareta desordenada e o SSW se encontravam, o Cristo Rei fechava os braços para deixar passar as refregas.

Com este ventinho e esta tripulação, o Pedro já ia outra vez para os Açores


Estes iam lá para fora levar cacetada - "Alexander Von Humbolt" de saída

Atravessando o Tenebroso Mar da Palha

Na Marina do Parque das Naçôes fomos bem recebidos pelos marinheiros de serviço, o pessoal da recepção tambem mostrou estar estar á altura das funçôes.

Quanto ao aspecto geral das coisas, a Marina ainda não se apresenta nem meio cheia, mais para os lados do meio vazio, apresentando-se cada vez mais como alternativa para os navegadores d'agua acima que queiram ir por água abaixo.

Já tem os dois pontões de espera exteriores montados assim como combustivel, o sistema de comportas está aberto durante todo o dia, fechando apenas de noite.

Tambem já começam a aparecer uns bares com vista para os barcos, vamos aguardar o evoluir dos acontecimentos.

domingo, 1 de novembro de 2009

"Blue Seven"

Hoje foi dia de apresentação oficial do projecto "Blue Seven",um Bavaria 36, irmão gémeo do Hemingway.
Ainda sem as devidas vistorias e autorizações para navegar e já existem projectos pendentes, para já vai com guia de marcha para os estaleiros do Talaminho (Amora), para uma revisão completa, depois de inspeccionado e vistoriado, ainda vamos a Sines este mês fazer um teste de mar.
(E por falar em testes de mar, foi hoje que largou da barra do Tejo o veleiro "Thor VI", para iniciar a sua volta ao mundo, desejamos-lhe bons ventos em toda a viagem.)

Ainda até ao téminus do ano, vamos até Valada do Ribatejo, a fim de actualizar um roteiro de navegação á vista, para posterior publicação.
O Armador e o novo projecto

Para o ano, vamos pensar numa ida á ilha de Porto Santo, ideia já saiu da gaveta, agora é só colocá-la em cima da mesa.

Skipper e apoiante do projecto