domingo, 20 de dezembro de 2009

20-12-09, um dia muito frio

"João, amanhã a que horas podes estar no "Blue Seven?"
Era o sms do Rui, para mais uma saída no barco que mais saí na Marina expo, aliás, arrisco a dizer que desde que acabou o verão, somos os unicos utentes que saem por aquelas comportas.
Hoje não foi excepção, a Marina vazia de utentes, o marinheiro de serviço vem logo ajudar na manobra, quiçá até satisfeito por se sentir útil.
Após o almoço confecionado a bordo, saímos por volta das 14 horas rumo aos lados de Belém.
Eu agarrava-me á roda de leme e o Rui como sempre verificava as afinações e a punha-me os nervos em franja com as passeatas á volta do barco em plenas surfadas dignas deste Tenebroso Mar da Palha.

Deu para tudo, largos a surfar por esse Mar da Palha fora, popa rasa em Alcantara, o vento aparente enganava na sua intensidade, quando virámos de bordo em frente a Sto Amaro, é que vimos que o tipo estava bruto, mas certinho, uns 24 nozes de luxo vindos de Leste, que nos obrigou a trabalhar um bocado, o Rui no piano esforçava-se por afinar o barco para conseguirmos ter navegação equilibrada nas bolinas.

"Agarra-te ao pincel que eu vou tirar a escada"

A melhor opção foi vela grande no 1º rizo e reduzir a genoa a 110%, e lá conseguimos uma navegação equilibrada, bastante adornados, mas controlado.
Rumo á Margem Sul após a Pt 25 de Abril, viragem de bordo na confluência do canal do Alfeite com o canal do Barreiro e demos um rumo directo á Expo.
Era noite quando entrámos as comportas, mais uma vez estas se fecharam após a nossa entrada, e mais uma vez dissemos, "estavam á nossa espera".
Um barco, dois gatos pingados, e uma estrutura de milhões de euros ao nosso serviço.
Mais um grande dia de Inverno para navegar, frio, muito, mas vale a pena, acima de tudo, pelo prazer de navegar e navegar por prazer.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Aviso aos Navegantes D'agua Acima

Atlantico Norte - Portugal Continental - Porto de Lisboa - Cala das Barcas

Posição da Boia nº 1 - Lat 38º 49' 608 N Long 009º 02' 548 W

Coordenadas de GPS referidas ao Datum WGS 84



Aproximando-se as quadras festivas da passagem d'ano, Carnaval e Páscoa, em que o pessoal d'agua acima se mete por água ábaixo e vice-versa e como assim persistirem as conversas de bar e esplanada sobre a situação da Cala das Barcas, nomeadamente junto á Boia nº1, que foi recolocada na posição acima indicada, cumpre-me informar do seguinte:
(Ah, não confundir com a Boia nº3, porque essa tá colocada em seco, no Mouchão do Lombo do Tejo, e quem passar por lá encalha de certeza).

Em viagem efectuada num dia com um PRM de 2,94, altura referida ao nivel do Zero Hidrográfico, passei junto á mesma (no sentido correcto da balizagem), foi verificado o seguinte valor:

A sonda á hora foi de 4,70 m, na altura do estofo da maré.
A BXM nesse dia foi de 1,01 m.
Daqui poderemos tirar os seguintes dados:

Altura de PRM: 2,94 m
Atlura de BXM: 1.01 m
Amplitude de maré: 1,93 m (PRM - BXM)
Sonda á Hora: 4,70 m (SR + PRM)
Sonda Reduzida: 1,76 m (PRM - SH)
Se á Sonda Reduzida somar-mos a altura de BXM, neste dia passariamos no BXM, safos com uma Sonda á Hora de 2,77 m
Estes valores são referidos cerca de 0,50 cm abaixo da linha d'agua.

Pelo que julgo poder afirmar, que cumprindo a Balizagem passamos sem problemas, não quero deste modo contradizer aqueles que afirmam que tem de se passar 1oo m da bóia, outros dizem que é ao contrário, outros nem sequer sabem qual é a bóia e vão passando, outros encalhando.

È claro que este apontamento apenas serve de referência, os destemidos marinheiros deverão sempre tomar as devidas precauções que a prudência marinheira assim o aconselhar.

domingo, 29 de novembro de 2009

Um dia de Inverno no "Blue Seven"

"Tens programa para Domingo ou vamos navegar?"
Foi mais um telefonema do Rui apelando para uma saída no "Blue Seven", como não havia programa (e mesmo que houvesse), navegar é preciso e passa a ser palavra de ordem.
A Meteorologia não abonava muito a nosso favor, ameaçando chuva e vento nas cercanias do Mar da Palha, mas saímos da Marina Expo com uma boa janela de tempo, se bem que frio.
O Rui fazia umas passeatas para verificar as afinações

Cristo Rei na proa e 25 de Abril pela amura de EB

O vento estava pelos 12 nós de NW, e saímos com o pano todo no ar, mas á medida que nos apróximava-mos da capital o vento subia gradualmente com refregas a chegarem fácilmente aos 26 nós, que nos largos nos proporcionava pontualmente a velocidade estonteante de 12 nós, mas tambem obrigava o "Blue Seven" a monumentais orçadelas, pelo que a opção foi reduzir pano para equilibrar a questão.

Na orçadela, a vida começava aos 20 nós


Margem Sul

Num ápice estavamos em Cacilhas, rondámos 180º junto á 25 de Abril e viémos a surfar nas bailadeiras até perto de Stª Apolónia, onde o vento estava com tendência para cair, a corrente forte fazia-se sentir e a progressão tornou-se morosa, ao cair da noite a opção foi de ligar motor e baixar velas.

Um Iatezinho estacionado perto de Stª Apolónia

Era escuro e começava a chover quando entrámos na Marina, o pesssoal de serviço aguardava a nossa chegada podemos assistir pela primeira vez ao fecho das comportas.

Foi mais um belo dia de Inverno, frio, ventoso, chuvoso, mas a navegar.

(http://veleiroblueseven.blogspot.com/)

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O "cabeço" da nossa juventude

Um destes dias passava pela variante de V.F.Xira, reparei que a maré estava algures junto á baixa-mar e o "cabeço das Torres" estava "á mostra".

Esta era a palavra de ordem nos verões de á vinte e tal anos atrás, quando chegava á hora do cabeço ficar "á mostra", o pessoal pegava nos Kayaks e iamos aproveitar aquelas duas horitas de praia, que a maré nos oferecia, junto á margem Sul do Tejo, em frente á unidade da Marinha na Quinta das Torres.
Uma coisa é certa, a tradição ainda é o que era, o miudos da canoagem ainda continuam a disfrutar deste cabeço, assim que o calor aperta, começam as romarias para aproveitar a areia e as águas cálidas do nosso Tejo, que no Verão atingem os 28º C.
Fui frequentador assíduo do "cabeço", umas vezes aparelhava o "Moth Europe", outras pegava no K1 e pagaiava pouco mais de uma milha, para me regalar com aquela qualidade de vida, uma praia privada, no meio do Tejo, umas vezes só para mim, outras vezes tambem para o resto do maralhal.
Nos dias que correm, já não frequento com assiduidade, uso amiude para encalhar o "Volare" e limpar o fundo, mas será sempre o "cabeço" da minha juventude.

domingo, 15 de novembro de 2009

Temos barco

Este domingo foi dia de ir transportar o "Blue Seven", que após uma estadia em Oeiras, aterrou na Marina do Parque das Nações, onde vai ficar até ao final de Janeiro.
Saimos de Oeiras com um mar completamente desordenado de través em com vento do mesmo quadrante, chegando a soprar aos 29 kts, com o Blue Seven a portar-se muito bem na vaga e a proporcianar algumas pequenas surfadelas, mesmo com pano reduzido (o gajo não tava para brincadeiras) atingiamos fácilmente os 8 Kts (SOG).
Foi rápida a viagem e duas horitas depois estávamos a solicitar a autorização de entrada na Marina (desta feita da Expo).
Foi um pequeno teste de mar a provar que temos 36 pés de barco com provas dadas.
O Rui disfrutando dos 5 minutos em que o "deixei" fazer leme.
Lá mais por fora, um dos poucos que se aventuraram a sair
Porta de entrada para o Mar da Palha, onde a mareta desordenada e o SSW se encontravam, o Cristo Rei fechava os braços para deixar passar as refregas.

Com este ventinho e esta tripulação, o Pedro já ia outra vez para os Açores


Estes iam lá para fora levar cacetada - "Alexander Von Humbolt" de saída

Atravessando o Tenebroso Mar da Palha

Na Marina do Parque das Naçôes fomos bem recebidos pelos marinheiros de serviço, o pessoal da recepção tambem mostrou estar estar á altura das funçôes.

Quanto ao aspecto geral das coisas, a Marina ainda não se apresenta nem meio cheia, mais para os lados do meio vazio, apresentando-se cada vez mais como alternativa para os navegadores d'agua acima que queiram ir por água abaixo.

Já tem os dois pontões de espera exteriores montados assim como combustivel, o sistema de comportas está aberto durante todo o dia, fechando apenas de noite.

Tambem já começam a aparecer uns bares com vista para os barcos, vamos aguardar o evoluir dos acontecimentos.

domingo, 1 de novembro de 2009

"Blue Seven"

Hoje foi dia de apresentação oficial do projecto "Blue Seven",um Bavaria 36, irmão gémeo do Hemingway.
Ainda sem as devidas vistorias e autorizações para navegar e já existem projectos pendentes, para já vai com guia de marcha para os estaleiros do Talaminho (Amora), para uma revisão completa, depois de inspeccionado e vistoriado, ainda vamos a Sines este mês fazer um teste de mar.
(E por falar em testes de mar, foi hoje que largou da barra do Tejo o veleiro "Thor VI", para iniciar a sua volta ao mundo, desejamos-lhe bons ventos em toda a viagem.)

Ainda até ao téminus do ano, vamos até Valada do Ribatejo, a fim de actualizar um roteiro de navegação á vista, para posterior publicação.
O Armador e o novo projecto

Para o ano, vamos pensar numa ida á ilha de Porto Santo, ideia já saiu da gaveta, agora é só colocá-la em cima da mesa.

Skipper e apoiante do projecto

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Aniversário do Clube Náutico de Salvaterra de Magos - Imagens

Clube Náutico de Salvaterra de Magos - 6 Primaveras

Foi no dia 24 deste mês que o jovem e dinâmico Clube Náutico de Salvaterra de Magos completou meia duzia de primaveras.
Desde um primeiro telefonema da Srª Presidente da CMVFXira a solicitar a minha colaboração, á primeira reunião que tive com a comissão instaladora em meados de 2002, até á data de hoje, temos que dizer que pelo trabalho desenvolvido, o clube náutico está mesmo de parabêns.
Obra de um trabalho meritório das direções que por lá têm passado (são sempre os mesmos).
De recem formado, ilustre desconhecido, a potência e referência nacional na modalidade de Canoagem, foi um passo de gigante.
Com instalações junto ao cais da Vala Real, no edificio do Centro de Interpretação Educativa e Ambiental, um edificio que contêm um museu do rio e onde se pode ver um pouco da cultura piscatória das gentes ribatejanas.
Mais uma vez o clube distinguiu as pessoas e entidades que com ele têm colaborado, mostrando que coisas deste tipo ficam sempre bem.
Por tudo isto e muito mais, é que podem continuar a contar comigo, Clube Náutico de Salvaterra de magos, um exemplo a seguir.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Aveiro - Porto - Vila do Conde (As imagens)

Aveiro - Porto - Vila do Conde 17 e 18 de Outubro

Dia 16

Chegada á AVELA pelas 2300 horas, onde já se encontravam o outros Skippers, cumprimentos boas vindas, 2 croquetes, 2 minis e um café e vou para o pontão, antes de me retirar para bordo do Véronique, ainda aceito o convite do Candido para ir a bordo do "Casvic", onde se encontrava o Chico e a Isabel.

Dia 17

Madrugada, cedo, entra o Eugénio no Véronique, á procura do colete, prega-me um susto do caraças, e lá vai ele embarcar no "Jonas", isto porque 2 membros da tripulação teriam de ser distribuidos por outras embarcações, neste caso pelo "Jonas" e Chemy", uma vez que o proprietários não estavam habilitados para a distancia entre portos.
A mim num sorteio completamente viciado, calhou-me o "Chemy", barco mais pequeno e maneirinho da frota, no entanto foi um surpresa agradável, o barco era despachadinho e o Helder, feliz proprietário, foi um tipo impecável, até a cozinhar.
Pelas 0800 largávamos do trapiche e pouco depois saíamos a Ria e entrávamos num mar de "senhoras".
A viagem durou cerca de 6 horitas sempre de velas içadas mas com o motor a ajudar, ao inicio da tarde e após uma viagem sossegada, entravamos a barra do Douro, já com uma vazante bastante forte que nos dificultava o seguimento.
Mais uma vez a solução adoptada para atracar, este ano no cais de Gaia, não era a melhor, pelo que gradualmente a frota dirigiu-se para a Ribeira do Porto, onde apesar de mau, era melhor.

Dia 18

Alvorada ás 0800 da manhã, um cafézinho na ribeira e pelas 0900 já nos faziamos ao mar com destino a Vila do Conde.
Com um vento de Leste, moderado e certinho, e um mar encrespado, lá fizemos uma velejadela de luxo até Vila do Conde, antes das 1200 e com o vento a cair entravamos a barra, desta feita já desassoreada, sempre com fundos na ordem dos 5 metros.
Depois de almoço, a viagem fez-se de Andante até ao Porto e de Intercidades até V.F.Xira.
Por mim, este ano tá feito, chega de mar, para o ano há mais, se Deus Nosso Senhor quiser.