All at once, the clouds are parted.
Follow men's eyes as they look to the skies.
Ao meu avô que me levava para o rio, aos meus pais que sempre me deixaram ir para o mar.
Uma das fotos que ficaram na minha mente desde a juventude, primeira metade da década de oitenta, recorto esta foto numa revista de vela, e colo no interior da porta do meu roupeiro em casa dos meus pais.Entrava eu com a minha humilde embarcação na doca do espanhol, quando me apercebo que encostado na muralha Norte, se encontra um belissimo Ketch (veleiro de 2 mastros), faço uma aproximação, e o meu espanto não podia ser maior quando vejo o nome "Pen Duick VI", era um dos barcos do malogrado velejador Eric Tabarly, mais própriamente o último da saga "Pen Duick".
Idealizado pelo próprio Tabarly, segundo a "International OffShore Rule", para competir na primeira regata "Whitbread", volta ao mundo para tripulações em 73/74.
O "Pen Duick VI" e Tabarly venceram a Transat em solitário em 1976, na qual Tabarly considerou como sendo a sua melhor vitória. No ano de 1981 este barco foi considerado absoleto para competição, em virtude dos novos materiais e tecnologias de competição, no entanto ainda hoje é considerado um dos veleiros mais bonitos ainda a navegar.
Actualmente é propriedade de uma empresa de cruzeiros de St-Malo, e continua a aliciar quem nele navega, fazendo cruzeiros oceanicos por todo o mundo.
Comprimento total: 22, 25 m Deslocamento: 32 Ton Boca: 5,30 m Calado: 3,40 m Àrea Vélica: 260 m2 Material do casco: Duraluminio Construção: 1973 no Arsenal de Brest

Um dia, quiçá, o mar como horizonte
Informei que se um dia tivesse essa ideia e precisa-se de alguem com um enorme desejo de ter o mar como horizonte, podia contar comigo, entretanto informei que nos iriamos fazer ao largo para apanhar vento mais forte e mais tarde passariamos por Cascais.
Pelas 1330 h.leg já faziamos rumo para o largo e algum tempo depois passávamos ao largo da bóia de espera, pelas 1600 virámos de bordo, o meu GPS dava-me um rumo directo em bolina cerrada para a baía de Cascais, onde chegámos perto das 1800.
Já com o rumo para Cascais
Aportámos para beber um café na Mui Tiazona Marina de Cascais e assim como chegámos, logo fomos postos a andar. Ainda fomos fazer fazer as visitas da praxe aos amigos que se encontravam por aquelas bandas, posto isto, fizemos rumo directo a Lisboa, perto das 2200 h.leg estávamos atracados na doca do Espanhol, onde me encontro agora a teclar, a bordo do "Beagle".
Fundeio na cala, junto da baliza, e lá vem ele outra vez, como eu estava na cala, passou perto, sempre rente ao BXM, vazio depois do frete, o mestre reconhece-me e lança o apito curto de passagem por EB.
Que mais nos resta dizer? Nós navegadores d'agua acima, vos saudamos.
"João conde e Fls" Valada, 10 Julho 2008
"Bacalhau" Valada, 10 Julho 2008

O Paulo e o meu moço de convês que entretanto queria ir para a praia
As tripulantes diziam que eram doces, e cantavam "... fecha a porta e tal, amanhã de manhã ...", até porque esta noite já não havia condições.
A mim só me pôem a cantar o "homem do leme", os Skippers presentes cantavam em coro.
Domingo, acordo cedo com o som caracteristico das adriças a baterem no mastro, mau presságio, vento já a esta hora? Não é normal e muito menos em Valada, mas pronto se estamos habituados a levar com ele de tarde, nada como para variar levar com ele logo pela manhã, e foi assim, nortada até á Azambuja, á vista da Pt da Leziria o vento cai na totalidade e dá lugar a um mar (rio) de azeite até Vila Franca, á passagem da Pt Marechal Carmona vem novamente a nortada (a tipa tave entre pontes), que nos acompanhou até á nossa Mui Nobre Vila d' Alhandra.
Azeite
Perto das 1400 H Leg, e já a levar com a nortadada, aportámos á Mui Nobre e Real Marina d'Alhandra.
Em jeito de conclusão, gosto muito de navegar no mar, vou para lá navegar sempre que posso e disfrutar da sua imensidão e poder, mas o Rio, o nosso Tejo, é lá que realmente me encontro, na quietude e na beleza das suas margens.
Venham de lá as nortadas, as nordestadas, as suladas, as correntes e as refregas, cá nos encontramos, e entretanto aguardamos pacientemente pelo final de Setembro, pelo Equinócio e o mês de Outubro, para mim, o melhor mês para navegar.
Apenas porque, "navegar é preciso".