terça-feira, 16 de junho de 2009
Fim de semana grande
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Acabou a 2ª volta ao mundo de Genuino Madruga
Açores Dia 6 de Junho 2009

A chegada ás Lages do Pico, o Hemingway envergando a armação de fortuna, a vela e o mastro improvisado com que percorreu as ultimas 1900 milhas

Entrada no porto das Lages do Pico, onde o aguardava a população

As palavras deste pescador, de volta á sua terra natal, um dia teve o sonho de dar a volta ao mundo á vela.
As duas viagens de volta ao mundo deste pescador, poderão ser vistas em: http://www.genuinomadruga.com
Pessoalmente quero agradecer á pessoa do Marco Dutra que me reencaminhou os mails que lhe chegavam de bordo do Hemingway, proporcionando-me o prazer de acompanhar esta viagem ao longo de quase 2 anos.
Ao Genuino Madruga, devemos agradecer o facto de nos ter levado a navegar com ele.
terça-feira, 2 de junho de 2009
Genuíno Madruga em volta ao Mundo
O Veleiro com o seu mastro improvisado, continua a navegar com destino aos Açores, com o tempo a melhorar mas com mar grosso pela proa.
Nas LÇages do Pico prepara-se a chegada, alguns barcos irão acompanhar o Hemingway de volta ao ponto de partida.
Uma corveta da Armada Portuguesa sairá em breve dos Açores ao encontro do navegador português, onde irá navegar lado a lado até ao final da viagem, prestando a devida homenagem da Armada Portuguesa.

"Dia 1 de Junho 2009
POSIÇÃO: 35.02 Norte, 034.26 Oeste
DISTÂNCIA A LAJES DO PICO: 359 milhas
ESTADO DO TEMPO: Vento Norte ou Noroeste de 12 a 20 nós, mar cavado, ondulação NW 4 a 5 metros, céu parcialmente nublado
OCORRÊNCIAS: Nada de pescaria. Avistas muitas águas-vivas (caravela portuguesa).
Despenhou-se no Atlântico 1 avião Francês que procedia do Rio de Janeiro. Para reflexão no dia Internacional da Criança, a cada 3 segundos morre uma criança à fome ou por causas relacionadas!
A 4 dias de chegar a Ilha do Pico, G.Madruga"
quinta-feira, 28 de maio de 2009
O Patrão Lopes

Joaquim Lopes
1798 - 1890
Joaquim Lopes nasce em Olhão no ano de 1798, aos 10 anos já andava na faina do mar, mais tarde embarca para Gibraltar, de onde regressa aos 21 anos, instalasse em Paço de Arcos, onde já viviam muitos algarvios.
Para essa terra veio exercer a profissão de pescador, sendo muito estimado e admirado pela sua coragem.
O seu primeiro acto de heroísmo acontece em Oeiras, quando um homem na foz da ribeira, pretende atravessar com o filho ás costas. Ambos teriam morrido se não fosse a rápida intervenção de Joaquim Lopes, que mesmo todo vestido trouxe primeiro o miúdo para terra, e depois foi buscar o pai que já se debatia com dificuldade.
Chegado a terra foi felicitado pela sua coragem.
Tempos depois estava ele no farol do Bugio, quando um cabo de artilharia foi arrastado pelo mar.
Joaquim Lopes pediu aos companheiros para segurarem na ponta de um cabo, lançou-se á água e recolheu o homem que estava a ser atirado contra os rochedos.
Em 1828 salvou do mesmo modo o Sargento Francisco Sales.
Embora fosse o remador mais jovem, subiu ao cargo de Patrão da Falua do Bugio em 1833.
Depois disso os salvamentos que efectuou não têm conta, sempre com risco de vida.
Em 1856 numa noite de tempestade, acordou, ouviam-se tiros de alarme no Bugio e em S. Julião, algo se passava no seu mar.
Joaquim Lopes, o seu filho Quirino e alguns voluntários, meteram-se ao mar na Falua e enfrentaram a tormenta.
A escuna inglesa Howard Primorose, encalhara no Bugio ficando desmantelada, seis horas de luta com as ondas e não se conseguiam aproximar, o Patrão decide voltar a Paço de Arcos e buscar a sua lancha de pesca, mais rápida nas manobras, mais seis horas de luta, chegam aos destroços de onde salvam 5 marinheiros e o capitão, ao fim da tarde chegam a Belém.
Mais tarde foram agraciados pelo governo Inglês com a medalha de prata da Rainha Vitória, Joaquim Lopes foi condecorado pelo nosso governo.
Anos mais tarde a escuna inglesa British Queen, encalha no Bugio no meio de tremenda tempestade, não se conseguindo aproximar, vêm desaparecer um a um os membros da tripulação, conseguem salvar o capitão e um cão.
A França concedeu-lhe a medalha de “Dedicação e Mérito” por ter salvo parte da tripulação do Esthefanie que se partira todo junto ao Bugio.
Foi pedido um salva-vidas porque a falua era pesada, o salva-vidas foi colocado erradamente em Belém, pois quando chegava ao local, já os Lopes tinham efectuado os salvamentos.
Em 1859 no salva-vidas é colocado em Paço de Arcos sob as ordens do Patrão.
Pelo salvamento do Bergantim espanhol Achiles foi concedida a medalha de ouro de “Distinção Humanitária” pelo governo espanhol.
Tempos depois salvam toda a tripulação do iate português Almirante.
El Rei D. Luís reconhece-lhe o seu valor e coloca-lhe sobre os ombros o colar de “Oficial de Torre e Espada”, Joaquim Lopes comovido chora nos braços do Rei.
A sua questão económica é colocada no parlamento e é concedida uma pensão anual de 240 mil reis, por fim o governo irá graduá-lo em 2º Tenente da Armada.
Aos 84 anos já não vai tanto ao mar, será o seu filho Quirino que o substituirá no salva-vidas.
Despede-se dos salvamentos, num dia em que o seu filho se encontra em Belém com a Falua, ele não hesita, manda tocar o sino a rebate, vai ás costa de um dos seus homens e é amarrado ao leme do salva vidas, para salvar o lugre inglês Lancy,
Ao ouvir o sino Quirino regressa para colocar o pai na Falua e vai salvar com o salva-vidas a tripulação do lugre.
O Patrão terá 92 anos quando a Inglaterra apresenta o ultimato a Portugal, Joaquim Lopes será o primeiro a devolver as condecorações a Inglaterra e obriga os filhos a seguirem o exemplo.
A morte espera-o no ano de 1890 aos 92 anos de idade.
Em Paço de Arcos reúnem-se 4 vapores que acompanharão o salva-vidas com o cadáver.
Seguirá para o cemitério dos Prazeres, sempre acompanhado por El Rei D. Carlos.
Mais tarde será trasladado para o cemitério de Oeiras, onde será erigido um mausoléu.
Em Novembro de 1923, será lançada a 1ª pedra no monumento na rotunda da Av. Marquês de Pombal em Paço de Arços .… a sua vida foi sempre no mar, avô?
Pois que havia de ser…!
E quantos homens salvou?
Não sei meu amor. Até 300 ainda contei, depois perdi-lhe a conta…
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Hemingway já ruma directo a casa

A ansiedade é grande em ver nascer no horizonte a montanha do Pico
domingo, 24 de maio de 2009
De seu nome, José Lopes
quarta-feira, 20 de maio de 2009
O Tejo visto da minha janela
Agora é a sério, é mesmo visto da minha janela, após cerca de 2 anitos a viver de modos que a bordo do meu DC 740, e após insitência familiar, lá consegui convencer alguem a me vender uma casa, como tambem não devia nada a ninguem, o banco lá me emprestou o dinheiro e pronto, prá semana lá me devo mudar, mas não definitivamente,, já alertei a familia para o facto de, se pensam que é por ter uma casa que vou lá estar sempre sossegadinho, desenganem-se, porque isto de viver a bordo deixa as suas mazelas, vai ser preciso um periodo de transição que deve durar cerca de 30 anos, vá lá 32, no minimo, a partir desta altura deverá ser feita uma avaliação da situação.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Hemingway navega em precárias condições

Dia 18 de Maio 2009 - 17h UTC
POSIÇÃO: 20.54 Norte - 046.34 Oeste
ESTADO DO TEMPO: Vento SE 10 nós, mar pequena vaga, céu descoberto, bom tempo.
OCORRÊNCIAS: Sábado do Espírito Santo, 18 de Maio de 2002 pelas 15h00 o Hemingway dava entrada no Porto da Horta regressando de sua primeira viagem à volta do Mundo. Foi dia de festa no mar e em terra! No dia 25 de Agosto de 2007 este emblemático veleiro partia com seu único tripulante do Porto das Lajes da ilha do Pico para segunda viagem a volta do Mundo. Desta vez tratava-se do maior de todos os desafios - Passar o Cabo de Horn de Leste para Oeste! Efectivamente no dia 14 de Janeiro de 2008 o Hemingway cruzou o Cabo da ilha de Horn, chegou a Latitude 56 Sul, navegando em sentido contrário ou seja do Atlântico para o Pacífico. A 21 de Março de 2009 completa-se a segunda viagem de circum-navegação na posição 08.27 Sul, 023.12 Oeste. Hoje, decorridos Sete anos, navego a caminho da minha ilha onde devia chegar como antes no Sábado do Espírito Santo. Tal não irá acontecer nesta data tão importante para todos os Açorianos residentes ou não nas nossas ilhas porquanto mais uma vez o Hemingway como frágil que é foi vítima das forças da Natureza ficando mais uma vez sem mastro!
Sem seu mastro, navegando com vela e mastro improvisados, irá regressar às nossas lindas ilhas em data posterior, mas irá regressar! Antes de terminar deixo-vos um pensamento de Henry Van Dyke "Sejam felizes com a vida porque ela vos dá a oportunidade de amarem e trabalharem e brincarem e olharem para as estrelas".
Navegando em precárias condições, 1412 milhas a Sudoeste com rumo a minha ilha, Genuíno Madruga
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Hemingway cada vez mais perto de casa
Dia 13 de Maio 2009 - 17h UTC
POSIÇÃO: 14.19 Norte - 046.59 Oeste
TEMPERATURAS: Água 26 - Ar 26.5
ESTADO DO TEMPO: Vento ENE 17 nós, mar cavado, céu parcialmente nublado, aguaceiros dispersos
OCORRÊNCIAS: Nas últimas 24 horas percorridas 109 milhas. A bordo tudo bem (dentro das condições existentes).Continuo navegando com destino aos Açores. Avistado um navio (SMC ROBERTA) navegando com rumo 126 e velocidade 16 nós. Navegando a caminho de casa, cada dia mais perto, Genuíno Madruga.
terça-feira, 12 de maio de 2009
A armada invencível e a Nau á deriva
Cada vez que ouço histórias do mar, recordo-me de ouvir falar em naufrágios, gigantes Adamastores, navios fantasmas e outras coisas do género que povoam a nossa mente desde tenra idade.
E recordei-me de uma história que me acompanha desde a minha meninice, a história de uma Nau construída á beira do Tejo.
Nau que sempre a conheço a navegar, umas vezes contra ventos e marés, outras vezes a favor, mas sempre navegou em pleno esplendor.
Os seus comandantes dentro da sua sabedoria, tinham o orgulho de comandar semelhante nau, as tripulações sempre tiveram prazer em servir, e a Nau lá andava, muitas vezes sobre olhar atento de quem teimava em se servir dela.
A Nau continuou a navegar, foi sendo alvo de manutenção, foi-se apetrechando, tornou-se num símbolo, imponente, apetecível na sua maturidade.
Até que um dia, o Comandante da Nau não reuniu o consenso de alguns poderes que se teimavam em instalar ao longo dos anos, mas sem êxito até então.
Até que aconteceu o dia em que se iria reunir o Conselho que iria decidir o próximo Comandante da Nau.
Os que até então ansiavam o poder, reuniram generais, (alguns deles amotinados da tripulação anterior), os generais chamaram e reuniram milicianos, muitos nunca se tinham visto embarcados e teve lugar a bordo a batalha pelo governo da nau.
A batalha foi curta o até então Comandante, em inferioridade numérica, perdeu uma batalha sem glória contra uma armada invencível.
A milícia assumiu de imediato o governo da nau, os generais de imediato dispensaram as tropas, a batalha estava ganha.
O novo Comandante e os seus Generais assumiram o comando da nau, mas esqueceram-se que a milícia que os tinha ajudado na batalha já não estava presente, os despojos, agradecimentos e louvores foram atribuídos, e de seguida a milícia recolheu aos antros de onde eram oriundos.
A tripulação do antigo comandante, essa, continuaria a bordo, atenta ao governo da sua Nau.
Hoje a Nau está a navegar, quiçá á deriva, o Estado-maior não reúne consenso, Generais desertaram, outros viram as tropas desertar, outros continuam a acreditar, mas já não se revêem na batalha em participaram, outros continuam a acreditar.
Mas a Nau é grandiosa, vai continuar a navegar, talvez até encalhar na ignorância daqueles que um dia, sem nunca andarem embarcados, foram chamados a participar numa batalha alheia.
Porque a tripulação, essa há-de sempre estar presente.
In “Memórias de um tripulante”


