quarta-feira, 20 de maio de 2009

O Tejo visto da minha janela



Agora é a sério, é mesmo visto da minha janela, após cerca de 2 anitos a viver de modos que a bordo do meu DC 740, e após insitência familiar, lá consegui convencer alguem a me vender uma casa, como tambem não devia nada a ninguem, o banco lá me emprestou o dinheiro e pronto, prá semana lá me devo mudar, mas não definitivamente,, já alertei a familia para o facto de, se pensam que é por ter uma casa que vou lá estar sempre sossegadinho, desenganem-se, porque isto de viver a bordo deixa as suas mazelas, vai ser preciso um periodo de transição que deve durar cerca de 30 anos, vá lá 32, no minimo, a partir desta altura deverá ser feita uma avaliação da situação.
Além do facto de já estar práticamente esquecido das coisas normais que uma casa tem, agora é contratos para electricidade, para a água, etc.
Já só estava habituado a baterias, painéis fotovoltaicos, geradores, ligar a ficha dos 220 V, abastecer o depósito de água, todo este ritual que vou fazer questão de manter, pelo menos ao fim de semana, é que me custa muito a adormecer sem o balanço e dou por mim muitas vezes a balançar-me para conseguir adormecer.
Tal como já fiz com o barco, a casa tá a ser pintada, o barco foi com anti-fouling, a casa é com anti-fungos, é mais ou menos a mesma coisa, só que um é por fora e a outra é por dentro.
Mas o pior, pior mesmo vai ser a distância, parece que não, mas as saudades vão apertar, não sei como vou conseguir sobreviver algumas noites, sabendo que estou a 1 milha de distância do barco.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Hemingway navega em precárias condições


Dia 18 de Maio 2009 - 17h UTC
POSIÇÃO: 20.54 Norte - 046.34 Oeste
ESTADO DO TEMPO: Vento SE 10 nós, mar pequena vaga, céu descoberto, bom tempo.
OCORRÊNCIAS: Sábado do Espírito Santo, 18 de Maio de 2002 pelas 15h00 o Hemingway dava entrada no Porto da Horta regressando de sua primeira viagem à volta do Mundo. Foi dia de festa no mar e em terra! No dia 25 de Agosto de 2007 este emblemático veleiro partia com seu único tripulante do Porto das Lajes da ilha do Pico para segunda viagem a volta do Mundo. Desta vez tratava-se do maior de todos os desafios - Passar o Cabo de Horn de Leste para Oeste! Efectivamente no dia 14 de Janeiro de 2008 o Hemingway cruzou o Cabo da ilha de Horn, chegou a Latitude 56 Sul, navegando em sentido contrário ou seja do Atlântico para o Pacífico. A 21 de Março de 2009 completa-se a segunda viagem de circum-navegação na posição 08.27 Sul, 023.12 Oeste. Hoje, decorridos Sete anos, navego a caminho da minha ilha onde devia chegar como antes no Sábado do Espírito Santo. Tal não irá acontecer nesta data tão importante para todos os Açorianos residentes ou não nas nossas ilhas porquanto mais uma vez o Hemingway como frágil que é foi vítima das forças da Natureza ficando mais uma vez sem mastro!
Sem seu mastro, navegando com vela e mastro improvisados, irá regressar às nossas lindas ilhas em data posterior, mas irá regressar! Antes de terminar deixo-vos um pensamento de Henry Van Dyke "Sejam felizes com a vida porque ela vos dá a oportunidade de amarem e trabalharem e brincarem e olharem para as estrelas".
Navegando em precárias condições, 1412 milhas a Sudoeste com rumo a minha ilha, Genuíno Madruga

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Hemingway cada vez mais perto de casa

Novas noticias do Hemingway que me chegaram pelo Marco Dutra e podem ser consultadas no Diário de Bordo http://www.genuinomadruga.com

Dia 13 de Maio 2009 - 13h45 UTC
POSIÇÃO: 14.07 Norte - 046.55 Oeste.Percorreu cerca de 96 milhas das 05h de ontém até às 05h de hoje.O tempo está bom em rota.

Dia 13 de Maio 2009 - 17h UTC
POSIÇÃO: 14.19 Norte - 046.59 Oeste
TEMPERATURAS: Água 26 - Ar 26.5
ESTADO DO TEMPO: Vento ENE 17 nós, mar cavado, céu parcialmente nublado, aguaceiros dispersos
OCORRÊNCIAS: Nas últimas 24 horas percorridas 109 milhas. A bordo tudo bem (dentro das condições existentes).Continuo navegando com destino aos Açores. Avistado um navio (SMC ROBERTA) navegando com rumo 126 e velocidade 16 nós. Navegando a caminho de casa, cada dia mais perto, Genuíno Madruga.

terça-feira, 12 de maio de 2009

A armada invencível e a Nau á deriva


Cada vez que ouço histórias do mar, recordo-me de ouvir falar em naufrágios, gigantes Adamastores, navios fantasmas e outras coisas do género que povoam a nossa mente desde tenra idade.
E recordei-me de uma história que me acompanha desde a minha meninice, a história de uma Nau construída á beira do Tejo.
Nau que sempre a conheço a navegar, umas vezes contra ventos e marés, outras vezes a favor, mas sempre navegou em pleno esplendor.
Os seus comandantes dentro da sua sabedoria, tinham o orgulho de comandar semelhante nau, as tripulações sempre tiveram prazer em servir, e a Nau lá andava, muitas vezes sobre olhar atento de quem teimava em se servir dela.
A Nau continuou a navegar, foi sendo alvo de manutenção, foi-se apetrechando, tornou-se num símbolo, imponente, apetecível na sua maturidade.
Até que um dia, o Comandante da Nau não reuniu o consenso de alguns poderes que se teimavam em instalar ao longo dos anos, mas sem êxito até então.
Até que aconteceu o dia em que se iria reunir o Conselho que iria decidir o próximo Comandante da Nau.
Os que até então ansiavam o poder, reuniram generais, (alguns deles amotinados da tripulação anterior), os generais chamaram e reuniram milicianos, muitos nunca se tinham visto embarcados e teve lugar a bordo a batalha pelo governo da nau.
A batalha foi curta o até então Comandante, em inferioridade numérica, perdeu uma batalha sem glória contra uma armada invencível.
A milícia assumiu de imediato o governo da nau, os generais de imediato dispensaram as tropas, a batalha estava ganha.
O novo Comandante e os seus Generais assumiram o comando da nau, mas esqueceram-se que a milícia que os tinha ajudado na batalha já não estava presente, os despojos, agradecimentos e louvores foram atribuídos, e de seguida a milícia recolheu aos antros de onde eram oriundos.
A tripulação do antigo comandante, essa, continuaria a bordo, atenta ao governo da sua Nau.
Hoje a Nau está a navegar, quiçá á deriva, o Estado-maior não reúne consenso, Generais desertaram, outros viram as tropas desertar, outros continuam a acreditar, mas já não se revêem na batalha em participaram, outros continuam a acreditar.
Mas a Nau é grandiosa, vai continuar a navegar, talvez até encalhar na ignorância daqueles que um dia, sem nunca andarem embarcados, foram chamados a participar numa batalha alheia.
Porque a tripulação, essa há-de sempre estar presente.

In “Memórias de um tripulante”

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Bons ventos ajudam o Hemingway

Novo mail de Marco Dutra que informa que está tudo bem a bordo do Hemingway, Genuino navega a uma velocidade de 4 nós (cerca de 8 km por hora), o que se pode considerar muito bom com o mastro que improvisou com a retranca.

"Dia 11 de Maio 2009 - 11h UTC
Em novo contacto, Genuíno diz que está tudo bem a bordo.Posição 10º44N 045º33W, rumo 330º, velocidade 4 nós com a vela improvisada, o que é excelente.Iremos aumentar o esforço de contactos para bordo, o que acontecerá 4 vezes por dia, para vigilância apertada à posição do Hemingway.A armada portuguesa e a marinha brasileira gentilmente contactaram o grupo de apoio para saber do navegador e estão atentas ao desenrolar da situação. "
"Dia 11 Maio 2009 - 12h UTC
Posição 10º49N 045º36W, proa 330º e velocidade 4 nós.Tudo bem a bordo.Para reduzir o consumo energético, foram desligados alguns equipamentos redundantes, nomeadamente um computador e um GPS que consomem vários amperes por hora. Sistema similar garante a segurança da navegação.Estava a cerca de 920 milhas da ilha de Trinidade nas Caraíbas e a 1920 milhas da Ilha do Pico.Devido ao fuso horário foram reajustadas as horas de contacto para facilitar a comunicação via rádio."

HEMINGWAY PERDEU O MASTRO ESTA MADRUGADA

Liguei agora o PC e dou de caras com um mail do Marco Dutra (Açores), com a comunicação de bordo que o Genuino Madruga lhe havia enviado, neste momento está comprometida a chegada aos Açores no dia 30 de Maio.

"HEMINGWAY SEM MASTRO

Cerca da 01h00 do dia 10-05 quando navegava na posição 09.27 Norte e 044.38 Oeste, com vento de ENE entre 15 e 18 nós, (alízios) o Hemingway foi surprendido pela passagem de possível ciclone ou tornado ou ainda outro fenómeno atmosférico com vento inicialmente de Sul e posteriormente Norte da ordem dos 60 a 70 nós e mar localmente alteroso. A genoa que a meio pano já não foi possível recolher rebentou e em bocados foi levada. O mastro partiu-se pelo primeiro espalha- brandais. Aproximadamente 1 hora mais tarde cessou a chuva aasim como o vento que voltou a ENE 15 nós. Ainda durante a noite (fazia Lua) foi possível safar os destroços o que não evitou algum estrago na borda e no varandim de bombordo que ficou totalmente destruído. Após amanhecer com a retranca improvisei um mastro e com uma vela (genoa) o Hemingway voltou a navegar embora que a velocidade muito reduzida. A bordo há combustível para aproximadamente 800 milhas. Com esta vela improvisada e com a ajuda do motor irei prosseguir minha viagem com destino a ilha onde nasci, não havendo data prevista para chegada. De momento estou a 1928 milhas a Sudoeste da ilha do Pico.Com um grande abraço, desde este imenso mar a caminho de casa Genuíno Madruga"

Marco Dutra a instalar a bordo do Hemingway o sistema de envio de mails via satélite, e que nos permitiu ter sempre em tempo útil as noticias do navegador solitário.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Reposição de stock

Hoje foi dia de compras para reposição do stock de bordo, desde o Beirão ao Whisky, do Porto ao Gin, (desta vez o mestre da traineira da Ericeira não apareceu por aqui a dizer que um meu amigo de Aveiro, desculpem Ilhavo, lhe havia prometido uma garrafita), do Branco ao Vinho (tinto), até as cervejolas cá vieram parar.
Tambem não ficaram esquecidas as latitas de Cola Desentope Canos.
Algumas garrafas de Vinho não estão presentes por motivos de já estarem devidamente acondicionadas e guardadas para uma doença, é que com a troca do depósito de água rigido de 80 litros pelo flexivel de apenas 55 litros, fiquei com espaço para mais 4 garrafitas de Vinho no porão, foi uma mais valia, pelo que aconselho vivamente este upgrade.

Aviso aos Navegantes

Atlantico Norte - Portugal Continental - Rio Tejo

Real e Mui Nobre Marina d' Alhandra

Lat: 38º 55' 714 N Long: 009º 00' 299 W

Avisa-se toda a navegação na zona que no próximo sábado dia 9 de Maio, no intervalo de tempo entre as 1500 e as 1700, e por um periodo entre 2 a 3 minutos (vá lá 4 no máximo), a bordo no N/V Volare vai ser concedido o regime de bar aberto, já foram enviados convites a algumas entidades, os cravas do costume poderão aparecer sem convite, como é hábito, se por acaso me esqueci de alguem, poderá integrar o 2º grupo sem ofensa pessoal para os mesmos.

*

O Aviso acima, deve-se ao facto do dono da esbelta embarcação haver sido aniversariante esta semana, pelo que o facto não deve ser tomado como qualquer tipo de campanha eleitoral.

Companheiro, camarada, palhaço desta vida, comparece, mas não tragas um amigo que esta merda tá em crise, ainda quero ver se sobra alguma coisa para levar para Valada no outro fim de semana, é que ninguem tá livre de apanhar uma doença e não ter nada para tomar.

Quem pretender Ice Tea, tem umas sacolas de chá de flores silvestres (cortesia do Tó da Segafredo), tem o fogão e a chaleira á disposição, depois é só esperar que arrefeça, para o processo ser acelerado, colocarei á disposição 3 pedritas de gelo que serão gentilmente cedidas pelo Silva do bar.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

O Cigano do Mar

Ontem almocei com o Rui S. em Arruda, falamos do seu projecto do Multichine 45, e de outras navegações, e quando se fala em navegações por estes lados, vem sempre á conversa o paradeiro do "Cigano do Mar", vulgo Zézé, de seu nome José Lopes.
Lembrei-me que algures tinha o seu numero de telefone e hoje falei com ele, está vivo, disse-me que não tem vindo trabalhar no barco, dentro da sua humildade, a vida não o tem permitido económicamente, mas o sonho de colocar o "Olympus" a navegar mantem-se, o Zé é assim, possuidor daquele brilho nos olhos e da matéria de que são feitas os sonhos.
Disse-lhe que um dia destes tinhamos de falar pessoalmente para fazermos uma crónica mais alargada, adorou a ideia, tenho é de ir a Belem ter com ele.
Despediu-se, agradecendo por me ter lembrado da sua pessoa, acho que no Domingo vou passear a Belem.

A foto acima e o texto que se segue foram retirados do blogue "Peixeagulha"

"Apanhei esta foto, por acaso, entre coisas que ando a mudar de sítio.
Digitalizei-a e aqui está.Este barco apareceu no Clube Naval de Ponta Delgada, oferecido, suponho eu, pela Direcção Regional dos Desportos.
Tinha sido comprado pelo Governo Regional ao proprietário, na ocasião, Deocleciano, qua o havia restaurado, a partir de muito pouco, na Terceira. Coragem, a do Deocleciano.
De seguida ele viria a ganhar outro salvado, novamente um trimaran, o Intermezzo (onde morreu assassinado o seu proprietário,em 2006, no Algarve).
Eram barcos a mais para o Deocleciano que, ainda por cima, tinha o vício de construir barcos ( "Vénus", o catamaran, também é dele).
Assim, o "Olympus" ia ser entregue, em mão, ao Clube Naval que o quisesse e, nem na Terceira, nem no Faial o queriam.Como estava na Direcção do CNPD nessa altura, acreditei que seria bom para o Clube e, que para além disso, não seria oneroso.
E, assim foi.O Olympus passou a estar bem equipado, com uma boa caixa de ferramentas, um bote anexo, com um motor de 2 cv e o seu próprio motor auxiliar que às vezes funcionava.Foi criada uma lista de comandantes autorizados e uma tabela de preços para aluguer.
Quanto à lista, houve polémica de sobra. Apesar de serem todos barcos, há diferenças entre um paquete e um boca aberta e, há que respeitá-las.
Do mesmo modo, ninguém nasce ensinado e há que aprender. A modéstia é boa conselheira.
Seguindo, com o dinheiro ganho, sempre se conseguia melhorar qualquer aspecto.Do palmarés, há uma regata Horta-Velas-Horta, com o Manel Mota, Marques Moreira (pai), Marco e não sei se mais alguém, em que o Olympus largou da Horta e chegou a Velas, antes da corveta que deveria registar as chegadas.
Não sei se a 15 ou 20 nós, alguém o confirmará, viagem essa concluida com uma bela atracagem à vela na "marina", no antigo saco do porto de Ponta Delgada.Numa viagem de Santa Maria, para S. Miguel, com destino posterior nas Flores e, a uma velocidade de cerca de 15 nós, o mastro andou. Era de esperar que acontecesse, tal era o estaiamento, mas como bons tesos, sempre pensamos que aconteceria mais tarde.
Esta é a famosa "viagem das pedras" à qual regressarei mais tarde.
Reboque para Santa Maria e, mais tarde, para S.Miguel.Depois, os seguros e a falta absoluta de vontade dos sócios do CNPD em defender o barco. Aliás, "Sírius" de fora, nunca mais defenderam nada que navegasse: Vougas, baleeiras, Olympus, Wings e até mesmo o "peix' Agulha".
Estranho, não é?Foi longo abandono do "Olympus" , até à sua posterior compra por alguém que ficou apaixonado pela sua singularidade, o Zé, uma das pessoas mais apaixonadas pelo mar que conheci em toda a minha vida.
Pronto (quase) o restauro do Olympus, ainda viriamos a ganhar ao "Intermezzo", tripulado pelo Deocleciano, uma regata Ponta Delgada - Ribeira Quente."

Luar


Um brilho que aquece a alma e seduz o meu ser, olho para ele e penso, um dia talvez, o mar sempre como horizonte.
Foto: Cortesia do Rui S.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Associação Nacional de Cruzeiros - 4 dias no Tejo

Aproveitando a janela de tempo de dia 9, o "Volare" subiu o rio junto com a frota da ANC, viagem efectuada integralmente á vela, a viagem foi efectuada no sentido de actualizar e melhorar o meu roteiro d'água acima, que brevemente irei publicar neste espaço, uns dias de pesca, passagem por Salvaterra de Magos, e o habitual jantar de Páscoa com a Frota da ANC.

Um DC 740 no meu sector de navio alcançante, aproximava-se a motor

Cristovão e o seu "Paradise" o DC 740 mais artilhado do Vale do Tejo, quiçá do universo
Sábado ao cair da noite, a frota da ANC, algures estava o "Volare" representando Alhandra

O jantar da ANC, na "minha" mesa, os meus amigos Maria da Luz e Fernando Rosinha


A viagem no sentido descendente foi efectuada no domingo de manhã, com vento fresco o que proporcionou uma boa velejadela até Alhandra, onde o "Volare" chegou á hora de almoço.

Mensagem de Páscoa para os Marineros d'Alhandra:
O Sol quando nasce é para todos, o rio que corre tambem, a marina é para quem a paga, usem-na bem.