segunda-feira, 11 de maio de 2009

Bons ventos ajudam o Hemingway

Novo mail de Marco Dutra que informa que está tudo bem a bordo do Hemingway, Genuino navega a uma velocidade de 4 nós (cerca de 8 km por hora), o que se pode considerar muito bom com o mastro que improvisou com a retranca.

"Dia 11 de Maio 2009 - 11h UTC
Em novo contacto, Genuíno diz que está tudo bem a bordo.Posição 10º44N 045º33W, rumo 330º, velocidade 4 nós com a vela improvisada, o que é excelente.Iremos aumentar o esforço de contactos para bordo, o que acontecerá 4 vezes por dia, para vigilância apertada à posição do Hemingway.A armada portuguesa e a marinha brasileira gentilmente contactaram o grupo de apoio para saber do navegador e estão atentas ao desenrolar da situação. "
"Dia 11 Maio 2009 - 12h UTC
Posição 10º49N 045º36W, proa 330º e velocidade 4 nós.Tudo bem a bordo.Para reduzir o consumo energético, foram desligados alguns equipamentos redundantes, nomeadamente um computador e um GPS que consomem vários amperes por hora. Sistema similar garante a segurança da navegação.Estava a cerca de 920 milhas da ilha de Trinidade nas Caraíbas e a 1920 milhas da Ilha do Pico.Devido ao fuso horário foram reajustadas as horas de contacto para facilitar a comunicação via rádio."

HEMINGWAY PERDEU O MASTRO ESTA MADRUGADA

Liguei agora o PC e dou de caras com um mail do Marco Dutra (Açores), com a comunicação de bordo que o Genuino Madruga lhe havia enviado, neste momento está comprometida a chegada aos Açores no dia 30 de Maio.

"HEMINGWAY SEM MASTRO

Cerca da 01h00 do dia 10-05 quando navegava na posição 09.27 Norte e 044.38 Oeste, com vento de ENE entre 15 e 18 nós, (alízios) o Hemingway foi surprendido pela passagem de possível ciclone ou tornado ou ainda outro fenómeno atmosférico com vento inicialmente de Sul e posteriormente Norte da ordem dos 60 a 70 nós e mar localmente alteroso. A genoa que a meio pano já não foi possível recolher rebentou e em bocados foi levada. O mastro partiu-se pelo primeiro espalha- brandais. Aproximadamente 1 hora mais tarde cessou a chuva aasim como o vento que voltou a ENE 15 nós. Ainda durante a noite (fazia Lua) foi possível safar os destroços o que não evitou algum estrago na borda e no varandim de bombordo que ficou totalmente destruído. Após amanhecer com a retranca improvisei um mastro e com uma vela (genoa) o Hemingway voltou a navegar embora que a velocidade muito reduzida. A bordo há combustível para aproximadamente 800 milhas. Com esta vela improvisada e com a ajuda do motor irei prosseguir minha viagem com destino a ilha onde nasci, não havendo data prevista para chegada. De momento estou a 1928 milhas a Sudoeste da ilha do Pico.Com um grande abraço, desde este imenso mar a caminho de casa Genuíno Madruga"

Marco Dutra a instalar a bordo do Hemingway o sistema de envio de mails via satélite, e que nos permitiu ter sempre em tempo útil as noticias do navegador solitário.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Reposição de stock

Hoje foi dia de compras para reposição do stock de bordo, desde o Beirão ao Whisky, do Porto ao Gin, (desta vez o mestre da traineira da Ericeira não apareceu por aqui a dizer que um meu amigo de Aveiro, desculpem Ilhavo, lhe havia prometido uma garrafita), do Branco ao Vinho (tinto), até as cervejolas cá vieram parar.
Tambem não ficaram esquecidas as latitas de Cola Desentope Canos.
Algumas garrafas de Vinho não estão presentes por motivos de já estarem devidamente acondicionadas e guardadas para uma doença, é que com a troca do depósito de água rigido de 80 litros pelo flexivel de apenas 55 litros, fiquei com espaço para mais 4 garrafitas de Vinho no porão, foi uma mais valia, pelo que aconselho vivamente este upgrade.

Aviso aos Navegantes

Atlantico Norte - Portugal Continental - Rio Tejo

Real e Mui Nobre Marina d' Alhandra

Lat: 38º 55' 714 N Long: 009º 00' 299 W

Avisa-se toda a navegação na zona que no próximo sábado dia 9 de Maio, no intervalo de tempo entre as 1500 e as 1700, e por um periodo entre 2 a 3 minutos (vá lá 4 no máximo), a bordo no N/V Volare vai ser concedido o regime de bar aberto, já foram enviados convites a algumas entidades, os cravas do costume poderão aparecer sem convite, como é hábito, se por acaso me esqueci de alguem, poderá integrar o 2º grupo sem ofensa pessoal para os mesmos.

*

O Aviso acima, deve-se ao facto do dono da esbelta embarcação haver sido aniversariante esta semana, pelo que o facto não deve ser tomado como qualquer tipo de campanha eleitoral.

Companheiro, camarada, palhaço desta vida, comparece, mas não tragas um amigo que esta merda tá em crise, ainda quero ver se sobra alguma coisa para levar para Valada no outro fim de semana, é que ninguem tá livre de apanhar uma doença e não ter nada para tomar.

Quem pretender Ice Tea, tem umas sacolas de chá de flores silvestres (cortesia do Tó da Segafredo), tem o fogão e a chaleira á disposição, depois é só esperar que arrefeça, para o processo ser acelerado, colocarei á disposição 3 pedritas de gelo que serão gentilmente cedidas pelo Silva do bar.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

O Cigano do Mar

Ontem almocei com o Rui S. em Arruda, falamos do seu projecto do Multichine 45, e de outras navegações, e quando se fala em navegações por estes lados, vem sempre á conversa o paradeiro do "Cigano do Mar", vulgo Zézé, de seu nome José Lopes.
Lembrei-me que algures tinha o seu numero de telefone e hoje falei com ele, está vivo, disse-me que não tem vindo trabalhar no barco, dentro da sua humildade, a vida não o tem permitido económicamente, mas o sonho de colocar o "Olympus" a navegar mantem-se, o Zé é assim, possuidor daquele brilho nos olhos e da matéria de que são feitas os sonhos.
Disse-lhe que um dia destes tinhamos de falar pessoalmente para fazermos uma crónica mais alargada, adorou a ideia, tenho é de ir a Belem ter com ele.
Despediu-se, agradecendo por me ter lembrado da sua pessoa, acho que no Domingo vou passear a Belem.

A foto acima e o texto que se segue foram retirados do blogue "Peixeagulha"

"Apanhei esta foto, por acaso, entre coisas que ando a mudar de sítio.
Digitalizei-a e aqui está.Este barco apareceu no Clube Naval de Ponta Delgada, oferecido, suponho eu, pela Direcção Regional dos Desportos.
Tinha sido comprado pelo Governo Regional ao proprietário, na ocasião, Deocleciano, qua o havia restaurado, a partir de muito pouco, na Terceira. Coragem, a do Deocleciano.
De seguida ele viria a ganhar outro salvado, novamente um trimaran, o Intermezzo (onde morreu assassinado o seu proprietário,em 2006, no Algarve).
Eram barcos a mais para o Deocleciano que, ainda por cima, tinha o vício de construir barcos ( "Vénus", o catamaran, também é dele).
Assim, o "Olympus" ia ser entregue, em mão, ao Clube Naval que o quisesse e, nem na Terceira, nem no Faial o queriam.Como estava na Direcção do CNPD nessa altura, acreditei que seria bom para o Clube e, que para além disso, não seria oneroso.
E, assim foi.O Olympus passou a estar bem equipado, com uma boa caixa de ferramentas, um bote anexo, com um motor de 2 cv e o seu próprio motor auxiliar que às vezes funcionava.Foi criada uma lista de comandantes autorizados e uma tabela de preços para aluguer.
Quanto à lista, houve polémica de sobra. Apesar de serem todos barcos, há diferenças entre um paquete e um boca aberta e, há que respeitá-las.
Do mesmo modo, ninguém nasce ensinado e há que aprender. A modéstia é boa conselheira.
Seguindo, com o dinheiro ganho, sempre se conseguia melhorar qualquer aspecto.Do palmarés, há uma regata Horta-Velas-Horta, com o Manel Mota, Marques Moreira (pai), Marco e não sei se mais alguém, em que o Olympus largou da Horta e chegou a Velas, antes da corveta que deveria registar as chegadas.
Não sei se a 15 ou 20 nós, alguém o confirmará, viagem essa concluida com uma bela atracagem à vela na "marina", no antigo saco do porto de Ponta Delgada.Numa viagem de Santa Maria, para S. Miguel, com destino posterior nas Flores e, a uma velocidade de cerca de 15 nós, o mastro andou. Era de esperar que acontecesse, tal era o estaiamento, mas como bons tesos, sempre pensamos que aconteceria mais tarde.
Esta é a famosa "viagem das pedras" à qual regressarei mais tarde.
Reboque para Santa Maria e, mais tarde, para S.Miguel.Depois, os seguros e a falta absoluta de vontade dos sócios do CNPD em defender o barco. Aliás, "Sírius" de fora, nunca mais defenderam nada que navegasse: Vougas, baleeiras, Olympus, Wings e até mesmo o "peix' Agulha".
Estranho, não é?Foi longo abandono do "Olympus" , até à sua posterior compra por alguém que ficou apaixonado pela sua singularidade, o Zé, uma das pessoas mais apaixonadas pelo mar que conheci em toda a minha vida.
Pronto (quase) o restauro do Olympus, ainda viriamos a ganhar ao "Intermezzo", tripulado pelo Deocleciano, uma regata Ponta Delgada - Ribeira Quente."

Luar


Um brilho que aquece a alma e seduz o meu ser, olho para ele e penso, um dia talvez, o mar sempre como horizonte.
Foto: Cortesia do Rui S.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Associação Nacional de Cruzeiros - 4 dias no Tejo

Aproveitando a janela de tempo de dia 9, o "Volare" subiu o rio junto com a frota da ANC, viagem efectuada integralmente á vela, a viagem foi efectuada no sentido de actualizar e melhorar o meu roteiro d'água acima, que brevemente irei publicar neste espaço, uns dias de pesca, passagem por Salvaterra de Magos, e o habitual jantar de Páscoa com a Frota da ANC.

Um DC 740 no meu sector de navio alcançante, aproximava-se a motor

Cristovão e o seu "Paradise" o DC 740 mais artilhado do Vale do Tejo, quiçá do universo
Sábado ao cair da noite, a frota da ANC, algures estava o "Volare" representando Alhandra

O jantar da ANC, na "minha" mesa, os meus amigos Maria da Luz e Fernando Rosinha


A viagem no sentido descendente foi efectuada no domingo de manhã, com vento fresco o que proporcionou uma boa velejadela até Alhandra, onde o "Volare" chegou á hora de almoço.

Mensagem de Páscoa para os Marineros d'Alhandra:
O Sol quando nasce é para todos, o rio que corre tambem, a marina é para quem a paga, usem-na bem.

terça-feira, 31 de março de 2009

Uma estória muito gira

19 de Outubro de 2008, vinhamos de torna viagem do Douro para Aveiro, quando eu ao leme do "Liberum", sou assaltado por uma pequena pergunta do Galacho (proprietário da esbelta embarcação).
- Olha lá, João, és mesmo de Alhandra?
Sou d'Alhandra desde o 2º dia de vida, nesse dia mudei-me para a Alhandra, directamente da Alfredo da Costa, mas porquê?
- O pessoal por aqui fala de um tipo de Alhandra que se divorciou, largou a casa e foi viver para um DC 740, isso é verdade, conheces o gajo?
Bem, isso é mais ou menos verdade, quanto ao gajo, até tu o conheces, aliás, tás a olhar para ele.
- Bem, nós aqui por Aveiro contamos essa estória lá no clube e até achamos uma estória gira, como é que um gajo larga tudo e vai para uma marina, viver num DC 740?
Nós por Alhandra vivemos muito o culto rio, dos barcos, a borda d'água, tudo isto faz parte da nossa vida, não nos vemos a viver sem o rio e os barcos, e quando alguem nos coloca entre a espada e a parede "ou eu ou o barco", não nos resta outra opção, senão optar pelo sentido da nossa vida, sei que isto para o comum dos mortais é um bocado esquisito mas é mesmo assim, não há explicação nem volta a dar.
Hoje 31 de Março de 2009, acordo pelas 0800, a bordo do NV Volare, o rio está calmo, depois do mau tempo dos ultimos dias, veio a bonança, saio do barco e olho para o rio, está lindo, as águas brilham e penso "como eu gosto disto", cada vez mais penso que "há certos passaros que não podem estar presos", caminho pela marina e dirijo-me para o carro, volto atrás e tiro duas fotos, e penso "o Tejo visto do meu quintal".
Quando me perguntam, porque sou assim, indiferente, não me importo, conforto, quanto baste, valores, sim, amigos, para sempre, universo, sobre nós.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Mar da Palha em Fevereiro

Regressado de Aveiro, ainda mal tinha tocado com os pés na minha Alhandra, já o meu telefone tocava a convidar-me para um pequeno serviço de pilotagem rio acima, era o Rui Silva a perguntar se eu queria ir com ele buscar o seu Dufourzinho, que estava lá para os lados do grande mar oceano.
Apanhámos um belo dia de Inverno num passeio fenomenal de Pedrouços até Alhandra, com um almoço bem regado a bordo, poder-se-á dizer que o barco chegou a Alhandra em boas condições, nós nem por isso.

Passagem ao Largo da Capital


Parque das Nações

A Torre do Vasco


O Rui de copo na mão e o piloto automático ao leme, não fosse alguém fazer merda.

domingo, 8 de março de 2009

Cala das Barcas com cala, finalmente

Finalmente, parece que é desta que a Cala das Barcas ou Cala do Sul vai voltar ser franca para a navegação, após várias exposições de algumas entidades e particulares, a Capitania do porto de Lisboa, lá abriu os cordões á bolsa e colocou 2 embarcações em operações de dragagem, nomeadamente no troço mais assoreado, ou seja entra a Boia nº 1 e a Bóia 10 A, onde se tinha de fazer sempre o trabalho de casa e algumas continhas de cabeça, isto sempre a contar com soluções baseadas em passagens alternativas mas não duradouras, para não sermos surpreendidos pelos cabeços de areia e ostra que coabitam por aquelas bandas.

Ficamos a aguardar por um upgrade da balizagem que por aquelas bandas tambem se encontra bastante degradada, as cores Verde e Vermelha já deram lugar ao branco cagadela-de-gaivota e castanho ferrugem, os alvos já foram alvo de algo desconhecido, ou outra coisa do genero.
Será que as taxas de balizagem e farolagem pagas pelos milhares de utentes das embarcações de recreio, que todos os anos se deslocam á Capitania do Porto de Lisboa e respectivas Delegações Maritimas do estuário do Tejo, não poderão ser usadas para o beneficio dos utentes que pagam para esse efeito.

Aviso á Navegação nº 24

Período de: 17-Fev-2009 a 30-Abr-2009
Promulgado por: Capitania do Porto de Lisboa - CAPIMARLISBOALocal: Porto de Lisboa - CALA DAS BARCAS OU DO SUL
Assunto: OPERAÇÕES DE DRAGAGEM
Avisa-se toda a navegação que se iniciaram as operações de dragagem na Cala das Barcas ou do Sul, entre a Baliza nº 8 (LL-264.1) e a Bóia 1-A (LL-264.5).
Os trabalhos têm uma duração prevista de 2 meses, envolvendo a draga “Cova do Vapor”, os batelões “Grenalha” e “Gávea” e o rebocador “Expedito”. Considerar resguardo adequado.
Data de cancelamento: 30-Abr-2009

"Apesar de a Cala das Barcas, estar referida no Regulamento da APL como de 1º nível, ou seja, aquelas em que a APL,S.A. é responsável pela monitorização e pela manutenção das suas características físicas , há mais de dois anos que esta Cala está fortemente assoreada entre as Bóias 1 e 10A, facto que tem constituído uma limitação severa na navegação para montante da Pte. Vasco da Gama. Esta situação, não só afectou a náutica de recreio, mas também, como as imagens documentam, vários foram os navios da marinha mercante - "graneleiros" - que ficaram encalhados no local, muitas vezes, durante várias horas, aguardando pelo ciclo de maré.

"Durante os últimos dois anos, o acesso às infra-estruturas náuticas de Alhandra, Vila Franca de Xira, Salvaterra e Cartaxo, esteve fortemente condicionado, face à atitude de desleixo e abandono a que a Cala das Barcas foi votada. Apesar do Sr. Dr. Manuel Frasquilho - Presidente da APL -, quando confrontado com a situação durante o Seminário de Náutica de Recreio do Seixal do passado mês de Setembro, ter referido que sic. "de facto, a situação da Cala das Barcas nunca deveria ter chegado a tal ponto”, foi ainda necessário esperar mais quatro meses para se dar finalmente início aos trabalhos de dragagem no local.
Os nautas que habitualmente navegam para montante da Pte Vasco da Gama, conhecem bem as consequências que esta situação provocou no planeamento dos cruzeiros para montante, nomeadamente, a Valada, obrigando a sair de Lisboa com pelo menos duas horas sobre a baixa-mar, e, no regresso, ter de fazer escala em Alhandra para aguardar pela inversão de maré, mitigando, deste modo, o risco de encalhe junto à Bóia nº1.
Uma Boia Verde-cagadela

Uma Bóia Vermelho-cagadela
Muito embora o Aviso aos Navegantes (163/07), em vigor desde 01 Junho de 2007, tenha estabelecido um procedimento alternativo de passagem no local, cedo a sua eficácia ficou comprometida, devido ao agravamento gradual do assoreamento na zona em apreço."

A dragagem já aí está, venha uma balizagem condigna