quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

O Tejo visto da minha varanda

O Barco mais bonito da Real e Mui Nobre Marina d'Alhandra está a seco, só volta para a água em Abril, mas isso não é impedimento para umas noites a bordo, depois de um bricolage vespertino que se alongou pelo serão, nada como cair para o lado dentro de um edredon de penas, e ser presenteado com um amanhecer destes.





quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

"Aqui não podem pintar"

"Era uma vez um barco de madeira que teve o azar de vir parar a Alhandra.Durante o auge da sua juventude teve um dono que o estimava. Velejava nele e treinava. E ganhava regatas e o barco era feliz.Depois algo de triste para o Barco se passou. O dono deixou de poder velejar nele. Passou a ver menos vezes a luz do Sol. Ficou esquecido numa prateleira por anos e anos a fio e só velejava de forma esporádica emprestado a quem nunca o estimou e mais não fazia que escavacar. Toda a gente que, perto dele, lá no fundo do barracão passava comentava: “- Mal empregue barco. Anda que se farta e está aqui ao caruncho e ao bolor”- e o barco, triste, ansiava pelo dia em que voltaria a bater com o seu fundo chato a marola do Tejo à frente de outros da mesma espécie."

A história completa em http://asc-vela.blogspot.com/

O relato retrata até que ponto pode a ingratidão tomar formas, vamos ler, reflectir e reconsiderar:
O pavilhão onde não se podia pintar é o pavilhão onde se guardam os barcos de apoio e combustiveis, é completamente arejado, o portão tem 4 metros e estava aberto, o barco estava junto ao portão, não havia material que fosse afectado pelo cheiro da tinta, a não ser a titulo de pretexto uns quilos de carne, fechados em sacos de plástico, fechados dentro de uma arca frigorifica que por sua vez estava dentro de uma arrecadação.

Como diz o ditado "não queiras servir a quem serviu".



Breve resumo:

Este "Vaurien" de madeira foi construido na década de 80 nos estaleiros Freitas e era o supra sumo da época, foi adquirido em novo por um dos melhores velejadores por instinto que Alhandra já teve "Manel Sequeira" de seu nome, várias vezes campeão nacional nesta classe e foi neste barco que perdeu o campeonato nacional em Alhandra.

Após esse campeonato e num acesso de raiva o barco colocado á venda no clube, foi adquirido pelo seu proa na altura, tambem um dos melhores proas que já conhecia em vela ligeira, "Éddie", "Pedro Maluko" ou Pedro Manuel Germano dos Santos, que á custa da imigração deixou o barco abandonado no clube.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Momentos 2008


03 de Maio, tinhamos saído da Ria de Vigo pelas 0900 Hora Local, ficámos sem vento ao largo junto ás ilhas Cies, esperámos a pairar até ao meio dia e almoçámos uma feijoada de samos preparada de véspera.
A calmaria deu lugar a uma sulada com vento de 30 nós pela proa, e foi assim que nos fizémos á vida e viemos para a nossa terra.
As condições foram melhorando gradualmente á medida que entrávamos nas nossas águas territoriais, no momento desta foto, já com o vento a cair e vaga larga de través, tinhamos acabado de jantar , o Cmdt Veiga ao leme vivia um momento de nostalogia quando na posição 41º44’936 N 008º58’143 W, tinhamos o Farol de Montedor pelo nosso través de BB.
Eram cerca das 2030 H Leg e o Veiga dizia “estamos a passar o Farol de Montedor, um lugar muito bonito, onde um dia gostaria de viver”.
Passava pouco das 0200 H Leg do dia 04 de Maio quando acompanhado pelo “Tibariaf II”, o “N.V. Véronique”, entrava a barra da Póvoa de Varzim.

19 de Outubro, a bordo do “Liberum”, vinhamos do Porto para Aveiro num mar de azeite, á medida que se aproximava a passagem meridiana do Sol, tirava umas fotos ao horizonte, ao visualizar posteriormente esta foto em casa, reparei que tinha sido presenteado com um golfinho solitário.


quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Cruzeiro Aveiro - Vila do Conde - Aveiro

Então ele aí está, após horas de exaustiva reunião entre a minha pessoa e o Sr. Engº João Veiga, isto em frente a uma valente posta de bacalhau, no local do costume em Aveiro, a malhar umas garrafitas de "Sem Espinhas" e a dar cabo da paciência da Dª Né Né, lá iamos discutindo os pormenores da entrada da barra de Vila do Conde.
O Veiga lá dizia "nunca entrei a barra de Vila do Conde, etc" "temos de lá ir, mas só lá vou se fores comigo, etc" "se correr mal tenho de dividir as culpas com alguem, etc".
Cheguei mesmo a pensar que depois da trapalhada do ultimo Aveiro-Porto-Aveiro, não nos iriamos meter noutra, até pensei que o Veiga estivesse a brincar, mas com estas coisas não se brincam, e como não podia deixar um amigo fazer merda sózinho, aí estamos nós.
Vamos tentar entrar com o Véronique a quase inacessivel barra de Vila do
Conde.
A proeza vai-se realizar nos próximos dias 21, 22 e 23 de Fevereiro, o programa de festas ainda está em execução, mas estará brevemente disponivel, desde já poderá haver alguns lugares encaixáveis, pelo que agradecemos aos interessados que se perfilem.
Brevemente no "mar adentro"; "ventosga"; "mama".

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Here comes the Sun

Ele já vem por aí acima, daqui a pouco vamos ouvir dizer que “já se conhecem os dias”.
O nosso astro rei, Sol, vem aí e com ele o Verão.
No dia 21 de Dezembro deu-se o Solstício no Hemisfério Sul, ás 02 00 Hmg, o astro rei atingiu a sua máxima declinação Sul sobre o Trópico de Capricórnio 23º26.4 S e por aí se manteve até ás 22 00 Hmg, altura em que iniciou a sua ascensão. Pelas 23 00 Hmg já estava nos 23º26.3 S.

Até que no dia 20 de Março deste ano, entre as 11 00 e as 12 00 Hmg, ele passará a linha do Equador Celeste, logo originando o Equinócio da Primavera, pelas 11 00 ele estará com a declinação 0º00.7 S e ás 12 00 já efectuou a passagem para o Hemisfério Norte 0º00.3 N.

Subirá até aos 23º26.4 N onde atingirá a sua declinação máxima sobre o Trópico de Câncer, onde chegará no dia 21 de Junho pelas 01 00 Hmg, dando origem ao Solstício de Verão no Hemisfério Norte, por aí se manterá até ás 11 00 Hmg, pelas 12 00 Hmg iniciará a sua descida, já estará com a declinação de 23º26.3 N, e consequentemente no dia em que começa o Verão, inicia-se a contagem decrescente para o Inverno.
*
O Trópico de Câncer é o paralelo situado ao norte do equador terrestre, delimita a zona tropical norte. Corresponde à declinação mais setentrional da elíptica solar para o equador celeste. É uma linha geográfica imaginária que passa acima do Equador e que indica a latitude 23º26,0 Norte. Atravessa 3 continentes e 17 países.

O Trópico de Capricórnio é o paralelo situado ao sul do equador terrestre, delimita a zona tropical sul, é a declinação mais meridional da elíptica do Sol sobre o equador celeste. É uma linha geográfica imaginária que fica localizada abaixo do Equador e indica a latitude 23º26,0 Sul). Cartograficamente é representado por uma linha pontilhada que divide a área tropical do subtropical, sendo que a temperatura anual das regiões localizadas ao sul do trópico de capricórnio por média é inferior a 18°C. Atravessa três continentes e onze países.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

1 de Dezembro - Aniversário do Glorioso Alhandra Sporting Club


Dia 1 de Dezembro, data muito importante, comemora-se mais um aniversário do nosso Glorioso Alhandra Sporting Club, a Secção Náutica mais uma vez organizou as regatas de aniversário, assim como o muito importante e apreciado almoço de convivio.

A preparação de uma sopa de pedra

Largada da prova de canoagem de Cadetes e Infantis

Na canoagem estiveram presentes cerca de 130 atletas em K1, K2 e C1, na vela estiveram cerca de uma centena de atletas nas classes Optimist, Laser, Europe, Vaurien e ANC.

As provas decorreram em frente á nossa Mui Nobre Vila d´Alhandra, aproveitou-se uma janela de bom tempo para se efectuarem as provas de canoagem, para depois as condições não serem as mais adequadas para meninos durante as regatas de vela, com uma pequena depressão a se fazer sentir com alguma intensidade e a dar algum trabalho ao pessoal de apoio, nomeadamente junto dos Optimists.


Uma calmaria seguida de uma depressão das boas.


Ah! Quase me esquecia de dizer que o veleiro mais bonito da Real e Mui Nobre Marina d'Alhandra, um tal de "Volare" foi a melhor embarcação da frota Alhandrense em prova, efectuando uma inolvidável ultrapassagem por sotavento no ultimo bordo da bolina, ao seu mais directo adversário, um tal de Figaro Six denominado "Nau dos Corvos". (Not for everyone)

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

I Regata de Solitários - Volta ao Mouchão d'Alhandra

Realizou-se pela primeira vez a Regata de Volta ao Mouchão d'Alhandra em navegação solitária, esta regata contou com o meu apoio pessoal, (sem o qual não seria possivel realizar, digo eu) e com a presença de 10 destemidos Skippers munidos das respectivas embarcações.
Para mal dos meus pecados, a primeiras 3 milhas (1/2 volta) foram efectuadas á popa raza, como ainda não houve uma alma caridosa que contribuisse com um balão (já houve uma tentativa), tive de me resignar a deixar fugir 2 figaros de balão içado, "Nau dos Corvos", este com um balão de medidas avantajadas, assim como o barco com 10 cm a mais que os planos de construção, "Oceanus" que desta vez levava ao leme o nosso campeão mundial de Vaurien na categoria de Vela Piquena, o Chico Racha-a-Lenha, e o Mini-Transat do Mário "Azul", que sendo o velejador com mais horas em solitário, se esperava uma vitória, mas quedou-se pelo 2º lugar do pódio.
Ficam as imagens do barco mais bonito da Real Marina da Mui Nobre Vila d'Alhandra e do seu destemido Skipper lutando desesperadamente contra as popas em regatas.

A colocar o "pau" em posição

Manter o "pau" no sitio, firme e hirto



Com o "pau" a efectuar o seu trabalho

Com a viragem do "bico" sul do Mouchão, entrámos finalmente nas bolinas, mas já não havia muito a fazer, recuperámos distancia para o 3º (Oceanus), e aumentámos a distãncia para os restantes, após 2 horas e 15 minutos de regata cortámos a linha de chegada.

Salvou-se o cozido á portuguesa devidamente confecionado pelo gajo mais ordinário da Mui Nobre Vila d'Alhandra, não digo o nome para não ferir susceptibilidades, e tambem porque não quero injustiçar ninguem.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Um fim de semana de Novembro em Valada

Sábado, 8 de Novembro, o dia amanheceu cobrindo o Tejo com um véu branco, 10 horas, saida da marina com destino a Valada do Ribatejo, navegação apenas por GPS, situação que se manteve até próximo da Ponte da Leziria no Carregado.


Ponte da Leziria, bando de patos pousados no rio, foi uma constante desta viagem



Passagem na Aldeia avieira do Lezirão


Novamente patos á passagem na Quinta das Areias

Chegada a Valada, emancipação femenina na 3ª idade com influências de Iron Maiden


Pôr do Sol em Valada do Ribatejo, o meu menino atracado no pontão


Amanhecer muito branco em Valada


Uma paisagem que não estou habituado a ver de verão


A descer o Rio ao anoitecer, de regresso á Mui Nobre Vila d'Alhandra

Mesmo de Inverno, Valada não deixa de ter o seu encanto, a tasca da Ti Rosa continua lá a fazer a sopa caseira e as petingas fritas, á sexta-feira estão quentinhas, ao sábado frias e ao domingo têm molho de escabeche.

Vantagem de Inverno, não aparecem motas d'agua, e tá tudo muito mais calmo, mais uma vez fiquei cliente.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Cálculo da nossa posição - Navegando pelo Sol


Na minha ultima viagem do Porto para Aveiro, e como é hábito, aproveitei para treinar um pouco de navegação astronómica, desta vez, parti do principio que não tinha qualquer estima efectuada, e tentaria achar a minha posição apenas pela passagem meridiana do Sol.

Ressalvo desde já umas situações, o sextante que o Veiga me emprestou era uma merda de plástico, devidamente desconjuntada, as lentes e os filtros estavam sujos, o mar apresentava uma vaga larga de 1,5m e névoa no horizonte, estavam reunidas as condições para as leituras serem uma porcaria.

Numa altura em todo o grande navegante coloca os olhos no display de um GPS, não deixa de ser gratificante sabermos navegar pelos astros á semelhança dos nossos ancestrais.

Passagem meridiana do Sol por alturas iguais
Estando a passagem meridiana do Sol em Greewich prevista no Almanaque náutico de 2008, para as 1221 HMG, iniciei as leituras de sextante por essa hora, tendo em conta que não sabia a minha posição estimada.

Cálculo da Longitude
Ora através da leitura de alturas iguais do Sol, estimei que a passagem meridiana aconteceu pelas 1254 HML (relógio de bordo)

Tendo em conta que o relógio de GW apresentava 1221, sendo a diferença de 33 minutos e fazendo a conversão de minutos de tempo em minutos de arco, calculei a minha Longitude Estimada em 8º25' W
Deste modo temos:
p.l. Hml = 1254 + Long em tempo = 33' p.l Hmg = 1327 fuso -1 W p.l HLeg = 1227

Cálculo da Latitude
Declinação do Sol ás 1300 Hmg = 10º 13'7 Sul (Página diária do Almanaque Náutico)

Correção (d) na página diária do Almanaque Náutico d=0.9 sendo a declinação a subir para Sul, logo o incremento correspondente no minuto 27 é de + 0.4

Declinação corrigida = 10º 14'1

Agora entra aquela porcaria de sextante
Altura instrumental (limbo inferior do Sol) .....37º 50'0
Erro de indice (não considerado)................................ 0'0
Altura Observada .................................................37º 50'o
Correção DIP (AN) altura de 2m.............................. - 2,5
Altura Aparente ....................................................37º 47'5
Correção Altura Aparente A 2/3 (AN) ...................+15'o
Correção A 4 (não considerado)
Altura Meridiana Verdadeira .............................38º 02'5
Altura Meridiana Verdadeira - 90 .................... 51º 57'5 (distancia zenital)
Declinação (subtrair) ............................................10º 14'1

(estando o astro no H.Sul a declinação terá de ser subtraida á distancia zenital para se achar a Latitude)

Latitude Observada 41º 43'4 N

Posição GPS:
Latitude: 40º 56' 0 N Longitude: 008º 44'3 W
Tendo em conta que se estivessemos perdidos no mar, este calculo daria uma posição 47 milhas a Norte da nossa posição real, o que desde já não é grave e completamente admissivel, digo eu!!!
Como diria o meu colega de serões da Escola Náutica, Cmdt Vasco Moscoso de Aragão "estamos por aqui".